Carlos OliveiraO ex-presidente da Câmara Municipal de Santarém, Francisco Moita Flores, obteve em 2 actos eleitorais o voto favorável de muitos milhares de scalabitanos.

Não se pense que isso se ficou a dever apenas à sua imagem de ícone das televisões, jornais, rádios, e cassetes piratas. Os votos caíram nas urnas aos milhares devido às promessas eleitorais que cativaram o interesse da população, não só pela perspectiva de mudança que apresentavam, como também pela modernidade de gestão autárquica que colocaria Santarém no mapa.

Simultaneamente o seu eloquente discurso público convencia os tais milhares de santarenos, e o seu simpático e popular sorriso aproximava-o dos munícipes, interpretando a personagem do grande libertador da velha Scálabis, que passou a ter nas ameias do castelo um agradável cheirinho a porco assado no espeto.

Das muitas promessas eleitorais, a construção de um novo e moderno cemitério, com forno crematório a lenha, e uma condigna capela mortuária, foram projectos estruturantes, de desenvolvimento sustentável, que muitos votos lhe deram.

O seu interesse pelos mortos convenceu os vivos que iriam morrer melhor.

Entretanto, a falta de revisão do PDM bloqueou os processos administrativos em curso, e as pessoas recusaram-se a morrer, o que impediu a candidatura a fundos comunitários.

Pena foi que Moita Flores não tivesse sido mais ambicioso no seu projecto político-funerário. Para além do cemitério, do forno e da capela, nada lhe custaria acrescentar o orçamento com verbas que possibilitassem a construção do Panteão de Santarém.

Certamente que a cidade lhe forneceria ilustres figuras, algumas obviamente já falecidas e sem direito a voto, mas também com gente ainda viva que tudo faria para lá se deitar.

Analistas políticos realizaram estudos evidenciando que alguns dos mortos até iriam pelo seu próprio pé.

Mas isso seria outra história. Uma história de liberdade… para morrer!

Carlos Oliveira

FOTO CRÓNICA DIA 25