Carlos OliveiraAfinal nem tudo o que parece é verdade.

Parecia que há duas semanas atrás vivíamos num país muito conspurcado na maior parte dos sectores da nossa sociedade. Mas não. Estávamos todos enganados!…

Afinal Portugal é um país asseado, e o primeiro-ministro (que toma banho todos os dias) veio confirmar isso mesmo.

Num acto de grande magia, não tirou da cartola um coelho (perder-se-ía o factor surpresa), mas tirou da cartola um país limpo.

Encontrou uma saída limpa! Provavelmente referia-se à única – a saída dos portugueses para o estrangeiro.

Os que diziam mal, incluindo as agências de rating que nos classificaram “abaixo de lixo” (tal era a sujidade), o que dirão agora? – pergunta o senhor presidente da república.

De facto, na sua enorme sapiência, com esta pergunta, obriga-nos a pensar.

Como é que se conseguiu fazer em tão pouco tempo uma limpeza tão grande?!

O governo terá usado um super detergente para limpar um país sujo na corrupção dos poderes instituídos, nos ministérios, nas políticas praticadas, na economia, no desemprego, na justiça, no ensino, na saúde, no ambiente, nas florestas e nos rios, no salário mínimo, nas pensões de miséria, nos bancos e seus derivados, sujo nos compadrios partidários, nos órgãos de informação, nas igrejas, sujo no tão badalado estado social (que serve para tudo e não faz mal), sujo no apoio a deficientes, no fecho de serviços públicos, sujo nos monumentos, nas ruas, nos jardins, no apoio ao desporto e à cultura, no turismo, sujo nos submarinos, nos contentores, e em milhões de sanitas espalhadas pelo território nacional.

Sim, senhor presidente. O que dirão agora aqueles que diziam mal? – Ficaram sem argumentos!…

Portugal é hoje uma enorme etar, aplaudida pela Europa. E é para a Europa que vamos votar no próximo dia 25.

Foi isso que o senhor primeiro-ministro pretendeu dizer, apelando ao voto.

E, claro está, é isso mesmo que vamos fazer votando – uma grande limpeza!

“É limpinho”  (Jesus )

Carlos Oliveira