O presidente da Câmara de Alpiarça acredita que será possível manter a estação dos CTT aberta na vila, tendo encontrado, na reunião que realizou dia 5 com a administração da empresa, “abertura para negociar”.

Mário Pereira (PCP) compareceu na tarde de sexta-feira (dia 5) na concentração que reuniu uma centena de pessoas em frente à estação dos CTT de Alpiarça, num protesto contra o anunciado encerramento deste serviço, convocado pela Comissão de Utentes de Serviços Públicos (CUSP) daquela vila do distrito de Santarém.

“Há, da parte do Conselho de Administração dos CTT, abertura para apreciar com cuidado a situação específica da estação de correios de Alpiarça”, disse Mário Pereira aos jornalistas, declarando-se confiante de que será possível “ir ao encontro” das expectativas e reivindicações de populações e autarcas, de “manter o funcionamento com as valências que tem a estação de correios”.

Afirmando que os contactos com os responsáveis da empresa vão prosseguir, o autarca adiantou que, para já, o serviço se vai manter.

Para o presidente do município, a perda deste serviço na sede de um concelho com quase 8.000 habitantes “seria algo inadmissível”, pois é “fundamental” para a população, sobretudo os mais idosos e os agentes económicos, além de ser uma “posição de princípio” a cobertura de todo o território nacional, ou seja, “todos os concelhos”.

Mário Pereira afirmou que, apesar da privatização da empresa, esta mantém a lógica de prestação de um serviço público, pelo que não podem prevalecer os princípios de racionalidade económica, se bem que esta estação nem sequer dê prejuízo.

“Se tem havido algum decréscimo de serviço na estação é porque houve algum desvio de meios para outras estações vizinhas e para a loja que abriu” numa papelaria da vila, sublinhou.

À porta da estação, Justina disse à Lusa que é nesta estação que levanta há 21 anos a sua reforma, situação que Fernanda Garnel, da CUSP de Alpiarça, frisou ser comum à maioria da população idosa, com reformas pequenas e sem conta bancária.

Fernanda Granel afirmou que o serviço aberto na livraria, a poucos metros, vende selos, entrega encomendas, mas “no geral não cobre os mesmos serviços”.

Sublinhando que as alternativas – as estações de Santarém e de Almeirim – se encontram a sete quilómetros, Fernanda Granel garantiu que os utentes “não vão deixar” e vão “fazer tudo para impedir” o encerramento de uma estação que “todos os dias tem movimento” e “não deu prejuízo”.

Além do apelo à concentração da população, foram distribuídos folhetos em cafés e porta a porta e iniciada a recolha de assinaturas para um abaixo-assinado que será enviado à administração dos CTT e, se reunir as assinaturas suficientes, à Assembleia da República.

Dina Serranho, da direção nacional do Sindicato dos Correios e Telecomunicações, salientou que a estação de Alpiarça tem apenas um trabalhador (podendo ser dois em alturas de maior afluência) e “não dá prejuízo”.

Para a sindicalista, o anúncio do fecho de 22 lojas visa a “poupança ao máximo para encher os bolsos dos acionistas e levar à falência uma grande empresa” que, neste momento, “serve muito mal” as populações, fruto de uma “gestão danosa” que tem vindo a “retirar serviço público de qualidade”.

Fecho gera protestos de PS, BE e PCP

 

O PS questionou sexta-feira o Governo sobre se conhece os critérios para o encerramento de lojas dos CTT em Abrantes e Alpiarça, no distrito de Santarém, fecho que também já mereceu o protesto do PCP e BE.

Na pergunta do PS dirigida dia 5 ao ministro do Planeamento e Infraestruturas e assinada pelos três deputados eleitos por Santarém, Hugo Costa, António Gameiro e Idália Serrão, estes afirmam estar “preocupados com a qualidade do serviço púbico postal” e questionam a tutela sobre se “conhece o que esteve na base desta decisão”.

Os CTT confirmaram em 02 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, entre elas as de Alferrarede (Abrantes) e Alpiarça, medida que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar um total de 53 postos de trabalho.

Na questão que o PS enviou ao Governo, a que a Lusa teve acesso, os deputados eleitos por Santarém lembram que o serviço postal universal é “crucial para a coesão territorial, soberania e integração”, tendo feito notar que “os CTT em Portugal sempre foram uma referência e enquanto a sua gestão foi pública os resultados apresentados positivos”.

O PS, que lembra que “foi o Governo anterior que decidiu privatizar uma empresa rentável e que prestava um serviço essencial aos cidadãos”, manifesta a sua “divergência” relativamente ao fecho destas lojas e pergunta ainda “que medidas foram ou vão ser tomadas para garantir a qualidade e universalidade do serviço público”.

Também a distrital de Santarém do BE criticou, em comunicado, o fecho de balcões dos correios em Alferrarede e Alpiarça, defendendo a nacionalização dos CTT.

O BE lembra que “desde a privatização dos CTT que o serviço postal se tem degradado acentuadamente, com a empresa focada no lucro e na distribuição de dividendos à custa do despedimento de trabalhadores, aumento dos ritmos de trabalho, tempos de espera inaceitáveis, resultado de contínua diminuição do número de trabalhadores afetos ao atendimento ao público, do encerramento de balcões e de precariedade global em toda a linha de serviços prestados”.

Nesse sentido, o Bloco de Esquerda lembra ter apresentado há menos de um mês, no parlamento, um projeto de lei para a nacionalização dos CTT.

“O serviço universal de correio, com a consequente proximidade às populações o qual, está posto em causa neste momento, tem de ser um serviço público, de qualidade e de pertença de todos”, pode ler-se.

Na mesma nota, o BE sublinha que “continuará a lutar pelo serviço de qualidade dos CTT e pela sua reintegração na esfera pública”, assumindo o “compromisso” de, através do deputado eleito pelo distrito de Santarém, Carlos Matias, “fazer todas as diligências contra a pertença do encerramento dos balcões de Alpiarça e Alferrarede”.

A Direcção da Organização Regional de Santarém (DORSA) do PCP, por sua vez, afirmou “repudiar” o anunciado encerramento dos postos dos CTT em Alpiarça e Alferrarede (Abrantes), ambos no distrito de Santarém, tendo afirmado que esta possibilidade “significaria um salto qualitativo na degradação das condições de vida daquelas populações e dos seus trabalhadores”.

Na mesma nota, o PCP afirma que “é possível e necessário inverter esta situação”, e “apela à união e luta de todos (trabalhadores dos Correios, utentes e população em geral) para impedir o encerramento destes postos”, tendo defendido ser “urgente libertar os CTT da gestão privada e retomar o serviço postal público, universal e de qualidade!”.

Entretanto, também o PSD, através dos deputados Nuno Serra, Duarte Marques e Teresa Leal Coelho, eleitos por Santarém, perguntou ao Governo “como é que esta decisão se coaduna com as politicas de desenvolvimento e coesão territorial para o país” e se “considera o Governo que as decisões destes encerramentos colocam em causa ou violam o contrato de serviço postal universal existente em a empresa CTT e o Estado português”.

Os deputados sublinham a “ausência de resposta às perguntas sobre esta matéria colocadas pelos deputados do PSD a 13 de Outubro de 2017”, para afirmarem que “o silêncio do Governo é (…) comprometedor e inaceitável, tanto mais que não se conhecem os critérios técnicos ou financeiros” que suportam esta decisão.

“Como não se compreende que, tendo a ANACOM aprovado em meados de Setembro de 2017 os objectivos de densidade da rede postal e de ofertas mínimas de serviços que os CTT deverão cumprir para o triénio 2018/2020, o Governo não tenha acautelado a defesa do interesse público e exigido transparência absoluta e fundamentação adequada na tomada de decisões sobre a reorganização da rede de distribuição de serviço postal”, pode ler-se ainda na nota de imprensa enviada à Lusa pelo PSD.

Os CTT confirmaram em 02 de Janeiro o fecho de 22 lojas no âmbito do plano de reestruturação, que, segundo a Comissão de Trabalhadores dos Correios de Portugal, vai afetar 53 postos de trabalho.

A empresa referiu que o encerramento de 22 lojas situadas de norte a sul do país e nas ilhas “não coloca em causa o serviço de proximidade às populações e aos clientes, uma vez que existem outros pontos de acesso nas zonas respetivas que dão total garantia na resposta às necessidades face à procura existente”.

Em causa estão os seguintes balcões: Junqueira (concelho de Lisboa), Avenida (Loulé), Universidade (Aveiro), Termas de São Vicente (Penafiel), Socorro (Lisboa), Riba de Ave (Vila Nova de Famalicão), Paços de Brandão (Santa Maria da Feira), Lavradio (Barreiro), Galiza (Porto), Freamunde (Paços de Ferreira), Filipa de Lencastre (Sintra), Olaias (Lisboa), Camarate (Loures), Calheta (Ponta Delgada), Barrosinhas (Águeda), Asprela (Porto), Areosa (Gondomar), Araucária (Vila Real), Alpiarça, Alferrarede (Abrantes), Aldeia de Paio Pires (Seixal) e Arco da Calheta (Calheta, na Madeira).

A decisão de encerramento tem motivado críticas de partidos, autarquias e utentes.