ludgero-4-11Em declarações prestadas à Agência Lusa, Paulo Pessoa de Carvalho, presidente da Associação Portuguesa de Empresários Tauromáquicos (APET), afirmou que a temporada taurina que agora chega ao seu termo contou com uma “pequena redução” no número de espectáculos face ao ano anterior, algo, que, na sua opinião, era expectável face à conjuntura económica do país, tendo imperado o bom senso por parte dos empresários, que preferiram apostar mais na qualidade do que na quantidade.

De acordo com fonte da Associação Nacional dos Toureiros (ANT), realizaram-se este ano, apenas menos 15 eventos do que no ano anterior, pelo que deverão ter sido promovidos cerca de duzentos espectáculos. De notar que a temporada começou com diversos espectáculos anulados devido ao mau tempo, o que, naturalmente, terá tido, igualmente, reflexos na quantidade de festejos. Quanto ao bom senso dos empresários, essa é outra conversa, pois, assistimos a imensas incongruências que não abonam nada a favor da classe presidida por Paulo Pessoa de Carvalho, as quais contrariam o aludido bom senso dos empresários, mas também a desejável harmonia e entendimento entre todos.

Este dirigente lembrou ainda que nas décadas de 1960 e 1970 se realizavam em Portugal uma média de 90 a 100 espectáculos tauromáquicos, pelo que os números actuais estão ainda muito acima dessa realidade. Lembramos, também, que nesses tempos as manifestações anti-taurinas não tinham praticamente visibilidade e a televisão transmitia um número bem mais elevado de corridas de toiros. Por outro lado, os espectáculos tauromáquicos estavam mais confinados às regiões onde há praças de toiros fixas, pois, o fenómeno das praças desmontáveis contribuiu também para alargar a área onde se realizam estes espectáculos, pelo que aumentou substancialmente a quantidade de iniciativas.

De uma coisa não temos dúvidas, é forçoso que se privilegie a qualidade em detrimento da quantidade e que os cartéis tenham força para atrair os aficionados às praças, pois, ao contrário do que deixa subentendido Paulo Pessoa de Carvalho, muitos dos cartéis anunciados para os tauródromos portugueses deixaram muito a desejar em termos qualitativos. Às vezes lá constava um ou outro toureiro de qualidade, mas daí até os cartéis terem força e qualidade vai uma longa distância…

Esperemos por melhores dias!