Marta Carvalho, natural de Santarém, é, com apenas 12 anos de idade, campeã nacional de esqui (slalom gigante) na sua categoria. Frequenta o 6.º ano no Colégio Infante Santo, em Tremês, e reconhece que é “difícil conciliar a competição com as aulas”.

Fascinada pela velocidade com que desce as pistas, Marta Carvalho espera integrar os estágios da selecção nacional já no próximo ano e, mais tarde, depois de reunidos os pontos necessários, representar Portugal nos Jogos Olímpicos.

Que significado teve para si ser campeã nacional de esqui (slalom gigante) na época 2015/2016?

Além de slalom gigante, fui campeã nacional de slalom na minha categoria e fiquei em terceiro lugar na geral (todos os escalões). Senti muito orgulho e recompensa do esforço que faço todo o ano com treinos e provas.

Quando começou a praticar este desporto?

Aos três anos. Tenho fotos em que andava de chucha a esquiar com um monitor. O meu pai dava-me a chucha para eu não chorar! A aprendizagem é muito dura. Comecei a fazer competição aos 7 anos. Aos 8, tive uma lesão grave no joelho que me obrigou a estar parada toda a época.

O que mais a fascina na modalidade?

A velocidade com que desço as pistas. O prazer de esquiar pistas muito inclinadas e desconhecidas e também ir treinar para o estrangeiro.

Em Portugal, há condições para evoluir neste tipo de desporto?

Poucas. Na Serra da Estrela não há muitas condições de treino. Temos de deslocar-nos a França e a Espanha. Manteigas tem uma pista sintética que é a base de treino do meu clube – Ski Clube de Portugal.

Como se processam os treinos e qual é a frequência semanal?

Treino em média 5/6 horas por semana. Esta época já tenho cerca de 80 horas de ski. Treinamos em Manteigas, na Serra da Estrela, todos os fins-de-semana e uma vez de três em três semanas em estâncias espanholas. Durante o verão faço estágios nos Glaciares dos Alpes. Quando tiver 13 anos, já irei integrar mais estágios da selecção nacional.

Na sua opinião, é um desporto exigente?

Muito! O objectivo da modalidade é descer o mais rápido possível fazendo todas as portas. O meu adversário é o cronómetro e não os outros concorrentes. A maior exigência é o tempo das viagens. Chego tarde a casa aos domingos e à segunda-feira levanto- me às 07h00 para ir para as aulas. É difícil conciliar a competição com as aulas.

Qual foi a prova mais marcante na qual participou e porquê?

Foi a prova em que fui campeã nacional de slalom gigante na época 2014/15, na Serra da Estrela. O tempo estava muito mau: frio, nevoeiro e vento. Houve concorrentes que receberam assistência médica. Como havia muitos concorrentes em prova, arrefecemos todos na linha de partida. Fiz a prova com muitas dores nas mãos, joelhos e pés. Quando acabei a segunda manga, cheguei ao bar e coloquei as mãos na torradeira para aquecer!!

Até onde gostaria de chegar na modalidade?

Gostava de ter os pontos necessários para um dia ir aos Jogos Olímpicos.

Qual é a sua manobra preferida?

É o salto no slalom gigante. A velocidade é grande e o salto dá imagens de muita beleza e também de algum perigo…

Que conselho daria para quem quer começar a praticar este tipo de desporto?

É um desporto com muita adrenalina. Dá-nos muita confiança pessoal. Os resultados dependem só de nós e não de uma equipa. Ao contrário do que se pensa, não é um desporto de meninos ricos. No meu clube há 18 atletas de competição. Quem gosta de aventuras devia praticar esta modalidade. Sei que em Santarém há muitas pessoas a fazer ski, mas gostava de ter mais colegas a fazer competições.

Viagem de sonho?

Miami.

Prato preferido?

Fondue.

Livro e autor preferidos?

Colégio das Quatro Torres 1 – Enid Blyton.

Música?

“We are the world”.

ultima 25-01

Download PDF