O candidato do Partido Socialista à Câmara de Santarém quer regressar a um cargo que desempenhou entre 2001 e 2005, num mandato em que, afirma, conseguiu “concretizar o maior investimento em equipamentos públicos e ser recordista na utilização de fundos comunitários”.

Nesta entrevista ao Correio do Ribatejo, Rui Barreiro diz assumir esta recandidatura como “um dever de cidadania”, mostrando- se convicto que representa “a mais credível e competente alternativa”.

Fazendo “um balanço negativo” dos últimos oito anos de governação social-democrata do concelho, Rui Barreiro diz estar apostado em “mudar este paradigma instituído pelo actual executivo municipal, que tem prestado um péssimo serviço aos munícipes”.

“A minha equipa representa esperança, juventude e capacidade de resolver muitos dos problemas do município”, assegura Rui Barreiro, que apresenta como desígnio “trazer Santarém para a senda do desenvolvimento económico e social”.

“Desde a minha saída que não só não conseguimos fazer investimentos municipais, trazer investimento externo como não fizemos o que devíamos para evitar a saída de investimentos”, sublinha.

Os últimos oito anos mudaram a relação da Câmara Municipal com os seus munícipes. Para uns, para melhor, mas para outros, para pior. Que balanço faz dessas alterações e o que mudaria se vencesse as próximas eleições autárquicas?

Não conheço nem reconheço nenhuma mudança positiva na relação da Câmara Municipal com os seus munícipes nos últimos oito anos. Os jardins estão piores, a recolha do lixo é digna do terceiro mundo e se olharmos objectivamente para os números, consultando, por exemplo, o PORDATA, temos mais desempregados e muito menos empresas, o salário bruto é inferior vários pontos percentuais à média nacional, o centro histórico definha, o Rio Tejo está esquecido, não se conhecem ideias nem estratégias de desenvolvimento e de aumento da qualidade de vida de quem vive e trabalha em Santarém. Faço um balanço negativo e por isso aceitei o desafio de me candidatar para mudar este paradigma instituído pelo actual executivo municipal que tem prestado um péssimo serviço aos munícipes. No entanto, relativamente à relação com os munícipes, a transparência e a proximidade irão aumentar connosco. O Orçamento Participativo permitirá aos cidadãos fazerem escolhas na aplicação do dinheiro público.

Há muito para fazer. Principalmente nas áreas essenciais aos cidadãos, que promovem a qualidade de vida. Pagamos tarifa de resíduos sólidos urbanos (RSU), o lixo, e o serviço de recolha prestado é terceiro-mundista. Os jardins não sofrem a manutenção e o embelezamento necessário, o desleixo no centro histórico, com edifícios em ruínas e com os pombos são apenas exemplos de muitos que poderiam ser dados. De qualquer modo nós somos os únicos a ter desde 23 de Julho o nosso programa digital [ disponível em https://www.ruibarreiro2017.pt ] e os leitores poderão consultar e dar as suas sugestões.

Quais os aspectos ideológicos que, em seu entender, diferenciam a sua candidatura das restantes que levem o eleitorado a dar-lhe a confiança do seu voto?

Mais do que ideologia as eleições autárquicas devem levar os eleitores a escolher as melhores pessoas que se apresentam ao acto eleitoral, bem como os seus programas.

A minha equipa representa esperança, juventude e capacidade de resolver muitos dos problemas do município. A minha experiência e capacidade são um garante de poder ajudar a levar Santarém num rumo certo, com visão do que se pretende, recuperando a Cidade e o Concelho dos sinais claros de um ciclo negativo. Temos que nos empenhar em fixar os nossos jovens e em criar emprego de qualidade de forma a fixar a necessária “massa cinzenta” que impulsione Santarém.

Já esteve na presidência da autarquia e já foi também oposição? Quais as razões que o levaram a avançar com uma nova candidatura?

É um dever de cidadania. É com sentido do dever e de serviço à causa pública que me candidato, certo de que represento a mais credível e competente alternativa à situação que temos. Julgo que reúno condições para ajudar Santarém a crescer e devo oferecer aos eleitores a possibilidade de alterar este ciclo negativo em que nos encontramos. Temos monumentos, paisagens, centralidade, acessibilidades. Não é nenhuma fatalidade viver aqui. Antes pelo contrário. Quem gosta de Santarém não pode sentir-se satisfeito com o que tem actualmente. É possível fazer muito mais por Santarém.

Fui presidente de Câmara durante três anos e 10 meses e consegui concretizar o maior investimento em equipamentos públicos e ser recordista na utilização de fundos comunitários. Se fizermos um exercício sobre os últimos investimentos em Santarém (Cidade e Freguesias) verificamos que aconteceram até 2005. Se olharmos para a fixação de empresas vemos o mesmo. Desde a minha saída que não só não conseguimos fazer investimentos municipais, trazer investimento externo como não fizemos o que devíamos para evitar a saída de investimentos.

Recordo que saíram nos últimos anos a Escola Prática de Cavalaria, a Unicer e a Rical, só para lembrar os mais emblemáticos. E a dívida municipal cresceu, os impostos aumentaram (o IMI quase triplicou) penalizando os munícipes e o serviço prestado aos cidadãos piorou. Estes são factos incontestáveis.

Que eixos estruturantes pretende o partido desenvolver no concelho?

Queremos transformar Santarém num Concelho de referência, num exemplo de qualidade de vida, com empresas de topo e emprego qualificado, segurança, oferta artística e dinamização cultural.

Queremos cumprir critérios de qualidade e assumir a liderança do distrito e da região, promovendo intervenções nas áreas do ordenamento do território, da sustentabilidade, do desenvolvimento económico, do emprego e do turismo. Queremos sustentar o futuro de Santarém, alicerçando- nos na nossa história e apostando na educação como factor essencial de desenvolvimento. Queremos uma maior abertura na relação com os munícipes e ambicionamos melhores níveis de eficácia na prestação dos serviços municipais.

Queremos, através de uma gestão e administração transparente e participada, uma relação mais próxima com as necessidades de cada cidadão. Queremos uma relação empenhada e atenta com as Freguesias, reforçando a riqueza da descentralização e os recursos logísticos, financeiros e humanos necessários.

Em resumo, queremos um concelho que atraia riqueza e tenha futuro para os nossos jovens.

Quais as medidas que propõe para equilibrar as contas da Câmara no médio e longo prazo? Dada a actual conjuntura haverá margem para investimentos nos próximos anos? Como pensa proceder?

A situação financeira é difícil, muito pior da que tinha quando desempenhei funções de presidente, mas Santarém pode beneficiar do crescimento do país o que não acontece actualmente. Existem investimentos “low cost” que podem colocar o turismo numa trajectória positiva, melhorando a capacidade de trazer riqueza e empregos para o nosso concelho.

Mais pessoas, empresas e empregos significam mais actividade económica e mais tributação, ajudando a médio prazo a melhorar as receitas da Câmara e a respectiva situação financeira. Temos que beneficiar do turismo crescente e da capacidade de trazer riqueza e empregos para o nosso concelho. A nossa localização e os nossos recursos patrimoniais e paisagísticos (ver o Tejo das Portas do Sol é uma paisagem única) podem ajudar a ultrapassar as dificuldades. A minha experiência com os financiamentos nacionais e comunitários e a boa relação com o poder central também ajudarão a atrair as boas decisões que possam beneficiar Santarém.

Um dos cenários que mudou nos últimos anos foi a privatização de serviços autárquicos que agora são prestados por empresas municipais. Defende a continuação da empresa Águas Santarém ou a passagem para a Águas do Ribatejo? E sobre a Empresa Viver Santarém, concorda com a diversidade de actividades que a compõem?

Não houve nenhuma privatização dos serviços autárquicos. Na verdade, as Águas de Santarém são públicas, detidas a 100% pela CMS, o presidente do Conselho de Administração é o actual presidente da Câmara. No passado, e por decisão do executivo a que pertencia o actual presidente, Santarém perdeu muito por não ter integrado as Águas do Ribatejo pois ficaríamos com mais de 30 milhões de euros para investir no concelho, ficando a sede da empresa em Santarém, com todas as vantagens inerentes. Actualmente, o que se deve fazer é avaliar qual a melhor solução para os munícipes de Santarém e só depois dessa avaliação se poderá alterar alguma coisa, se for caso disso. Sem conhecer as condições oferecidas a Santarém dizer que se muda o que existe é pura especulação ou tentativa de enganar os eleitores. Quanto à Viver Santarém deve ser feita a mesma avaliação e verificar se há necessidade de mudar, diminuir ou aumentar as suas competências. A regra geral a obedecer é a seguinte: O que melhor serve os munícipes de Santarém deve ser o que deve existir.

A reforma que levou à criação das uniões de freguesias no Concelho continua a ser um processo criticado por muitos. Qual o modelo de funcionamento das novas freguesias que preconiza, sabendo que no caso da União de Freguesias da Cidade esta representa quase metade do eleitorado?

É um compromisso abrir a discussão em sede de Assembleia Municipal e ouvir os eleitos e a população para perceber o que deve ser alterado. Certo é que a actual situação criou problemas, especialmente na agregação de algumas freguesias sem benefícios, mas como já referi, mais do que contabilidade eleitoral que presidiu a essas alterações, as decisões devem ser tomadas de forma a servir melhor a população.

Da história conhecida sobre a mudança da linha do Norte da Ribeira de Santarém houve um projecto bem encaminhado para conseguir esse objectivo e criar uma plataforma logística regional que acabou por não vingar. Passados tantos anos pensa que seria importante recuperar este projecto? Que tarefas devem ser levadas a cabo para que a ligação da cidade à zona ribeirinha se torne mais efectiva? 

A ligação da zona ribeirinha à cidade tem que ser feita e não se deve estar a aguardar mudanças que não dependem só da decisão municipal. Independentemente da alteração de traçado da Linha do Norte há muito que podemos fazer por toda a zona ribeirinha do Tejo. As freguesias com rio devem ser privilegiadas no investimento comunitário futuro e o Rio Tejo deve ter investimento comunitário também. Santarém tem que tirar partido do que o Rio Tejo pode oferecer em termos turísticos, paisagísticos e ambientais.

Quantas cidades não gostariam de ter um rio desta importância? A possibilidade de ligar a Ribeira de Santarém ao planalto deve ser equacionada e devidamente estudada para garantir alternativas ao que existe actualmente.

Temos que acabar com as passagens de nível no nosso concelho que são um entrave ao desenvolvimento e um perigo latente para todos os utilizadores. Há muito por fazer independentemente dos projectos de dimensão nacional. Santarém não se pode resignar e considerar a linha do Norte um estrangulamento, temos que transformar esse facto em mais uma oportunidade de desenvolvimento.

Que comentário lhe merece a prolongada interdição ao trânsito da Estrada Nacional 114, entre o planalto e a ponte D. Luís?

Um exemplo claro e inequívoco da incapacidade do actual presidente de Câmara. Incapacidade em decidir e tomar decisões e em reclamar junto do governo.

Não é aceitável a situação que temos, passaram mais de 3 anos e continuamos com a estrada encerrada e nada se sabe do que irá acontecer nas outras barreiras que foram identificadas como perigosas. O prejuízo causado a Santarém, ao seu comércio e à circulação de pessoas e bens é incalculável. Basta ir apanhar o comboio à estação para se perceber a dimensão do transtorno. Uma Câmara Municipal deve ser a primeira a lutar pela melhoria de condições de vida dos seus munícipes e não pode ignorar os problemas existentes.

Estamos a aguardar que deslizem as outras barreiras para depois tomar medidas? Aproveito esta questão para referir a preocupação que me merece o estado de abandono e de falta de limpeza das barreiras circundantes da cidade que deviam ser mais cuidadas e tratadas de forma a evitar problemas com incêndios periurbanos que podem chegar ao Centro Histórico e causar transtornos muito graves, face ao estado de abandono em que se encontra o mesmo. Ir à fonte das Figueiras e verificar o seu estado deixa qualquer um que gosta de Santarém muito triste e desolado.

Há muitas queixas pela falta de um lobby concelhio que defenda uma estratégia para os interesses regionais junto das instâncias do governo nacional. Veria com bons olhos uma convergência de interesses, suprapartidária, para o concelho e para a região? Como?

Acredito na importância de um lobby regional, mas infelizmente isso não tem acontecido. Se olharmos para o Rio Tejo percebemos a falta desse lobby e a necessidade dele. Recentemente, tivemos um governo que durou quase 4 anos e meio com a mesma orientação política da CMS e nem sequer o problema das barreiras e do encerramento da estrada nacional 114 conseguiram resolver. Temos que ter actores com peso político e não quem não tem qualquer influência no seu partido e na sua região a liderar a Câmara da capital de distrito. A importância de ter actores de Santarém no panorama nacional é importante, mas é preciso que esses actores vistam a camisola de Santarém e lutem por investimentos para o nosso concelho.

Ultimamente veio a público a falta de condições no concelho, de que Santarém é capital de Distrito, para a instalação de novas empresas, que assim se deslocaram para concelhos vizinhos. Quais as propostas da sua candidatura para evitar estas situações e que propostas para implementar o desenvolvimento económico e o emprego na área do concelho?

Essa é para nós uma das principais bandeiras do próximo mandato. São medidas essenciais. A CMS tem que conhecer bem todos os principais empregadores do concelho e perguntar como pode ajudar a que invistam mais e criem mais emprego, ou no mínimo, tentar garantir que não saiam. Por outro lado, a CMS não pode ser uma mera facilitadora de investimentos, tem de passar ao ataque e procurar activamente atrair sectores estratégicos e de futuro (como o sector do so ware) para que tenhamos uma geração jovem bem remunerada e com vontade de ficar e construir a sua vida cá. Estamos a 70km de Lisboa e temos casas e escritórios significativamente mais económicos que Lisboa. No entanto, o actual executivo bateu a zero portas e atraiu zero empresas.

Nisto seremos completamente diferentes. São medidas essenciais. A última grande empresa que se fixou cá foi comigo como presidente (grupo Sonae-processamento de carnes). Nos últimos anos a CMS deixou fugir empresas com o caso da Unicer e da Rical e isso não pode acontecer.

Perder empresa é ficar mais pobre e menos competitivo. O PDM que temos é o primeiro, é da chamada primeira geração, elaborado no século passado. Devia ter uma duração de 10 anos e já vamos quase com quase trinta. Passaram mais quatro anos e continuamos sem o conseguir rever, tornando-o mais competitivo, para atrair empresas e fixar pessoas. Não basta ter uma boa localização, é preciso tomar medidas de incentivo, e os investidores não esperam anos para que a CM resolva problemas. E quando não se tem maioria tem que se conversar com a oposição para que sejam ultrapassados todos os problemas que possam existir para garantir que os investimentos ficam por cá.

Ainda recentemente tive que reunir com um grupo que queria investir em Santarém porque o actual presidente da CMS não soube conduzir o processo.

Que equipamentos entende serem necessários para o desenvolvimento mais equilibrado das freguesias do concelho, quais são os mais urgentes e onde os implantar?

Infelizmente ainda há muito por fazer, na área da educação, do desporto e da cultura e até do saneamento. Tal como no sistema de recolha de lixo que é caótico e terceiro mundista e no acompanhamento dos jardins e parques. Destaco, porque a lista seria extensa e o espaço dado pelo Correio do Ribatejo para esta entrevista já está a ser ultrapassado, os pavilhões de Alcanede e Pernes, a necessidade de uma pista de atletismo na cidade e de uma sala de espectáculos de média dimensão.

Todas as freguesias do concelho aspiram a melhorar as condições que podem oferecer aos seus moradores e é legítimo que isso aconteça. Infelizmente ainda continuamos a ter crianças a ter aulas em contentores, a não possuírem os espaços desportivos e de lazer adequados e as infra-estruturas desportivas estão longe daquelas que deveria ter uma capital de distrito.

A recolha de resíduos sólidos tem variado entre a prestação do serviço pela autarquia ou por empresas privadas. Qual a sua proposta para este campo, que evite, nomeadamente, que os caixotes de lixo estejam por despejar durante muitos dias?

Tal como já referi, esta é uma área urgente e cujas medidas devem ser tomadas numa fase de urgência para evitar o acumular de problemas que não são só esses de dias sem recolha. Neste momento a CMS tem uma solução mista(parte da recolha é feita por meios municipais e outra parte recorrendo a uma empresa prestadora de serviços) depois de ter acabado, no passado recente, com ela.

Tem andado sem rumo nesta área, como noutras e os cidadãos pagam tarifas e são mal servidos. O sistema moderno de RSU exige mais do município e dos cidadãos. Quer o sistema de reciclagem, quer o sistema de contentorização devem ser repensados em função das especificidades do concelho. Não podemos tratar o lixo do centro histórico da mesma maneira do que fazemos em Almoster, Casével ou Alcanede, por exemplo. É um sector que tem que mobilizar recursos e o envolvimento de todos, autarcas e população.

Com a diversidade de ocupações e a intenção de novos projectos conhecidos para implantar na ex-Escola Prática de Cavalaria, deverá ser feito um plano de pormenor para aquele espaço? Porquê?

Infelizmente este espaço é mais um exemplo do desnorte total da actual gestão municipal. Trata-se de um espaço nobre, carregado de história, com imensas possibilidades, mas que tem tido uma gestão casuística, de abandono, lixo acumulado, degradação e mais degradação (veja-se o estado a que chegaram os apartamentos que ficam voltados para a estrada militar), não beneficiando a cidade e o concelho. Claro que deve ter um plano de utilização com clara indicação das suas vocações administrativas, culturais, desportivas. Para isso não seria necessário dinheiro, apenas ideias e regras. E continuamos sem pagar este espaço que devemos integralmente (vários milhões de euros) e nem no anterior governo o actual presidente conseguiu resolver esta questão.

Que futuro preconiza para o antigo campo da feira? A Câmara deve apoiar uma urbanização desportiva, como a que propõe a actual direcção da União Desportiva de Santarém, ou destinar o espaço para outros equipamentos públicos, jardim, ou hotel por exemplo?

O Campo da Feira tem um plano aprovado por unanimidade pela CMS. Entretanto fizeram um centro escolar que não estava previsto naquele espaço. O Campo da Feira no projecto aprovado tinha previsto um hotel, uma biblioteca, um arquivo e museu, para além de um amplo espaço de jardim. É um espaço nobre da cidade que deve convocar um amplo consenso e chamar os meios necessários para os concretizar. O próximo executivo deve compatibilizar os investimentos no campo da feira com os do espaço da ex-EPC, para garantir uma cidade mais amigável para quem vive e para quem nos visita. Sou totalmente contra um projecto da actual CMS que prevê criar uma avenida com separador central na Avenida Afonso Henriques sem a integrar naquele espaço e sem atender às necessidades dos comerciantes daquela avenida. Mas compreendo a necessidade
de mais equipamentos desportivos.

Há um grande incremento de novas associações a necessitar de espaço. Elas estarão na ex-EPC e foi anunciado o antigo centro comercial ‘Escala 4’, no Centro Histórico. Que tipo de apoio deve ser garantido pela Câmara neste domínio?

O apoio ao associativismo desportivo e cultural deve ser equacionado numa óptica de equidade entre o que se passa na cidade e nas freguesias rurais. O apoio municipal deve ser garantido e a sociedade civil deve mobilizar-se para ajudar a concretizar o que as entidades públicas não conseguem. Quando se fala em apoios municipais estamos a falar do dinheiro de todos os que pagam impostos e por isso devem ser bem usados e sem clientelismos. Considero que a CMS deve também conseguir mobilizar o mecenato de forma a que as empresas possam ajudar a ter mais meios para as associações desportivas e culturais.

Quais as linhas de acção que entende necessárias para que hajam mais pessoas a residir no Centro Histórico de Santarém e mais negócios duradouros?

Santarém tem um centro histórico em rota de decadência e abandono acentuados, o que acontece em contracorrente com Lisboa, Porto, Évora e é mais uma demonstração de inabilidade e falta de imaginação do actual executivo. No nosso mandato iremos promover activamente o Centro Histórico, Ribeira e Alfange enquanto zonas de futuro para viver, trabalhar e criar investimentos turísticos.

Prioridade máxima a quem quer investir, viver e trabalhar no centro histórico. Será implementada uma “Via Verde” municipal para tudo o que tem a ver com esses objectivos. Devemos reduzir ou isentar todas as taxas e impostos existentes e legalmente possíveis de o fazer. Não deve ser mais caro comprar, estacionar ou viver no centro histórico. Quem quer investir ou viver no centro histórico não pode ter só obstáculos e burocracia, a autarquia deve ajudar a simplificar e a resolver problemas e não ser ela o problema.

E a CMS tem de dar exemplos com os imóveis que são da sua responsabilidade.

O IMI cobrado quase triplicou e em Santarém pagamos a taxa máxima. Está na altura de devolver a Santarém alguma parte dessa receita. Não podemos continuar a ter um pombal a céu aberto, uma zona de degradação e de ruína, temos que nos orgulhar do nosso Centro histórico.

Os proprietários mais idosos devem ter apoios e os jovens devem ter incentivos a fixarem-se no Centro Histórico. A qualidade de vida que se exige deve estar presente em todo o concelho, mas não podemos deixar degradar o nosso Centro Histórico.

Em termos turísticos Santarém passou a estar sob a alçada da Entidade de Turismo do Alentejo. Sendo esta condição uma certeza, que medidas propõe para o desenvolvimento turístico do concelho, incluindo no sector da gastronomia, e quais as propostas para investir no mercado religioso, nomeadamente na divulgação externa do Santuário do Milagre?

Pessoalmente não me revejo nessa integração na Entidade de Turismo do Alentejo e Ribatejo. Até se vê pela sua pergunta que esquece o Ribatejo no nome da entidade. Santarém tem que ter uma estratégia própria de desenvolvimento turístico e tem de exigir mais de todas as entidades que supervisionam ou tutelam essa matéria. Julgo que é paradigmático não termos ninguém de Santarém nessa Entidade. Comparativamente com a nossa importância populacional, monumental e geográfica o que nos tem sido “oferecido” não me satisfaz. Temos que ser mais exigentes connosco e com os outros.

E isso não tem acontecido até agora. A divulgação externa obriga a contactos permanentes com os operadores turísticos em feiras do sector, mas também em convites para visitar Santarém e perceber o que podemos oferecer e o que procuram esses operadores. Os jornalistas que escrevem sobre oportunidades de visitas turísticas também devem ser convidados a visitarem-nos, não podemos ser pequeninos na nossa ambição. A oferta hoteleira tem que aumentar, mas para isso é preciso trabalhar com os empresários do sector e oferecer boas condições de investimento.

Não queremos só turistas de passagem, queremos turistas que visitem e que fiquem por cá. O turismo religioso e gastronómico são muito importantes, mas temos o CNEMA e as suas feiras, o

Parque Natural das Serras d`Aire e Candeeiros com a sua diversidade das grutas às pegadas de dinossauros, o Rio Tejo com as diversas aves e a cultura avieira, temos uma ligação ao Brasil e ao Pedro Alvares Cabral, temos Alexandre Herculano, Almeida Garrett, Bernardo Santareno, Mário Viegas, Salgueiro Maia e a EPC, os templários andaram por Santarém, as invasões francesas passaram por cá, os judeus, os romanos, os mouros, somos a capital do gótico, temos vestígios arqueológicos imensos, enfim a nossa diversidade e riqueza é tanta que parece impossível estarmos como estamos.

Os pacotes a oferecer podem ser diversos. Já visitaram os diferentes miradouros de Santarém? Temos paisagens únicas. Veja Óbidos, por exemplo, que ligação tinham ao Chocolate? Agora são uma referência no destino turístico nacional. O Turismo tem que ser uma das nossas principais actividades. Não podemos ter os monumentos encerrados e o único museu municipal ( São João de Alporão) encerrado temporariamente já lá vão sete anos e não se sabe quando abrirá! Completamente inaceitável. O Turismo religioso, o turismo monumental, o turismo natureza, o turismo cultural, tanto que temos e que pode ser factor de desenvolvimento de Santarém, na óptica contemporânea de proporcionar experiências inesquecíveis a quem nos visita e que nos recomenda quando volta a casa.

PERFIL

Rui Pedro de Sousa Barreiro, 51 anos, quadro do Ministério da Agricultura, é natural do Vale de Santarém e militante do PS desde o final da década de 1980, tendo entrado pela primeira vez para o executivo municipal escalabitano, como vereador, em 1993.
Foi adjunto do governador civil de Santarém Carlos Cunha, antes de ser eleito presidente da Câmara de Santarém (2001/2005), num mandato de que destaca os investimentos feitos na cultura, no desporto e na educação, mas também a introdução, pela primeira vez num município socialista, do orçamento participativo e, sobretudo, a “melhor utilização de sempre” de fundos comunitários no concelho.
Licenciado em Engenharia Zootécnica, mestre em Economia Agrária e Sociologia Rural, com uma pós-graduação em Avaliação Imobiliária e diploma de Estudos Avançados em Alterações Climáticas e Políticas de Desenvolvimento Sustentável, Rui Barreiro foi secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural no último Governo de José Sócrates (2009/2011), tendo ocupado ainda os cargos de director regional de Agricultura do Alentejo e de director-geral do Desenvolvimento Rural.
A 17 Janeiro, foi o primeiro a anunciar a candidatura à presidência da Câmara de Santarém, apresentando como desígnio “trazer Santarém para a senda do desenvolvimento económico e social”.
Rui Barreiro perdeu a presidência da Câmara de Santarém em 2005 para o independente apoiado pelo PSD Francisco Moita Flores, tendo-se mantido como vereador nesse mandato.
Nas eleições realizadas em 2013, vencidas pelo social-democrata Ricardo Gonçalves, a candidatura socialista foi liderada por Idália Serrão, não tendo Rui Barreiro integrado qualquer lista. Católico, junta ao seu currículo o envolvimento voluntário em associações desportivas e instituições de solidariedade social, sendo ainda delegado distrital da Ordem dos Engenheiros e mesário da Santa Casa da Misericórdia de Santarém.
O seu nome andou nos jornais, sobretudo nos desportivos, quando levantou a voz contra a direcção do seu clube, o Sporting Clube de Portugal, mas a vontade de integrar os órgãos sociais do SCP caiu com a decisão de se candidatar à Câmara de Santarém.