ludgero mendes conferencia“A Religiosidade Popular e as Festividades Cíclicas Ribatejanas” foi o tema da conferência que o antropólogo Ludgero Mendes proferiu, na passada quinta-feira, na Sala de Leitura Bernardo Santareno, em Santarém.

Integrada no ciclo de conferências “Palestras Alternativas em Santarém”, promovida pela clínica de acupunctura Faustino Santos, com periodicidade mensal para divulgação de áreas alternativas, nesta comunicação o investigador cruzou a temática da religiosidade popular com as festividades cíclicas profanas.

“A Igreja adoptou a estratégia de fazer coincidir o calendário religioso judaico-cristão com as celebrações de cariz profano de forma a apropriar-se desta força. Assim, uma vertente complementa a outra”, defendeu Ludgero Mendes.

“O Homem vive em função de antagonismos. E encontramos nestas festividades cíclicas a emanação desta dicotomia”, referiu o antropólogo, assinalando que “a vida humana é assinalada por ritos de passagem” que se cumprem em muitas destas festividades.

Durante a conferência, Ludgero Mendes propôs a “revisita cronológica” a muitas dessas festividades religiosas às quais se associam actividades profanas.

“A ideia de tempo dos camponeses das sociedades rurais tradicionais estava directamente ligada ao ciclo agrícola”, lembrou o antropólogo.

“O período de semear e o período de colher demarcavam os momentos importantes de uma comunidade totalmente dependente da generosidade ou da adversidade da Natureza, a quem se agradecia através das celebrações rituais, marcado pelo culto ao mundo natural, para que no ano seguinte pudesse propiciar fertilidade e abundância”, disse ainda.

Nesse sentido, “a religião popular ignora o que seja fazer a divisão dicotómica e antagónica de festas religiosas e profanas, fazendo a conjugação destas duas coordenadas”, afirmou, dando como exemplos o Dia de Nossa Senhora das Candeias, “muito implementada onde a cultura da oliveira tem expressão”, como na zona do Bairro de Santarém.

O antropólogo falou ainda de muitas outras manifestações populares, como as Cegadas por altura do Carnaval, em Trás-os-Montes, da Serração da Velha, por ocasião da Páscoa ou do “Enterro do Galo”, uma tradição que ainda hoje subsiste em algumas zonas do Ribatejo.

Na sua comunicação, Ludgero Mendes concluiu que a religião popular é algo que ao longo do tempo se consolidou pela tradição, “na esfera do imaginário religioso, que retirou do culto os elementos adaptáveis à devoção tradicional”.

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