O coreógrafo Rui Horta regressa ao palco como bailarino no espectáculo «Vespa», agendado para o próximo sábado, 7 de Outubro, às 21h30, no Teatro Virgínia.

De acordo com a sinopse do espectáculo, e nas palavras de Rui Horta: «Há coisas que temos dentro da cabeça. Como um zumbido a roer o pensamento». Estas são as primeiras palavras de Vespa, e aquelas que, nem sempre sendo ditas, transportam o mundo interior da criação: uns parênteses, um tempo parado onde cristalizamos e cuspimos o que nos transcende e atormenta, um instante que se expande para um tempo mais vasto. Quando olho para os últimos meses nem sei bem porque decidi fazer esta obra… Provavelmente porque as coisas mais importantes são também as mais inexplicáveis e as menos racionais. Tal como um serial killer que se esconde atrás dos seus crimes, também o criador se protege do olhar do público, escondido atrás das suas obras e dos seus intérpretes. A diferença é que este solo aconteceu assim, simplesmente, como uma possibilidade, uma fractal, uma marca fugaz, apenas isso. Um lugar desprotegido e, pelo menos no meu caso, por muito pessoal que seja, não é autobiográfico, não conta o homem e fala de futuro.

Quantos furacões de força 4 e quantos terramotos de grau 7 iremos enfrentar antes de falar das coisas mais simples e dos detalhes mais risíveis? Até Oscar Niemeyer, do alto dos seus 99 anos, e quando confrontado com a pujança da sua obra, apenas nos dirige um olhar cândido e frágil, mais profundo que qualquer palavra. Vespa tem esse mesmo olhar sobre o futuro, um reduzir do homem a uma ínfima partícula do cosmos, contemplado com alguma perda, muita compaixão e uma boa dose de ironia.»

Nascido em Lisboa, Rui Horta começou a dançar aos 17 anos nos cursos do Ballet Gulbenkian. Estudou, ensinou e foi intérprete em Nova Iorque durante vários anos, após os quais regressou a Portugal, onde dirigiu a Companhia de Dança de Lisboa, sendo um dos principais agentes no desenvolvimento de uma nova geração de bailarinos e coreógrafos portugueses. Durante vários anos colaborou regularmente com o Goethe-Institut em projectos internacionais. Dirigiu vários projectos de formação avançada e foi professor convidado em algumas das mais importantes escolas de dança. Desde 1998 até 2000, Rui Horta trabalhou em Munique, como coreógrafo residente, no Muffathalle. Em 2000 regressou a Portugal (Montemor-o-Novo), onde estabeleceu um centro multidisciplinar de pesquisa e criação, “O Espaço do Tempo”. Ao longo dos anos criou obras para inúmeras companhias de renome. Durante a sua carreira recebeu importantes prémios e distinções. A sua criação coreográfica dos anos 90 foi, recentemente, classificada como Herança da Dança Alemã. Nas artes performativas o seu trabalho de encenador estende-se o teatro, à ópera e à música experimental. Nos últimos anos, o seu trabalho como encenador levou-o a criar obras como Estado de Excepção, Multiplex, e Cabul, nas quais tem desenvolvido uma forte pesquisa de texto na fronteira com o movimento.