Um clone do freixo cinquentenário Duarte D’Armas, oferecido por Freixo de Espada à Cinta à Câmara de Santarém, vai ser plantado na quinta-feira no Jardim das Portas do Sol, abrindo a celebração do Dia da Floresta Autóctone.

A vereadora da Câmara de Santarém com o pelouro do Ambiente, Inês Barroso, disse à Lusa que um dos clones desenvolvidos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro foi oferecido pelo município de Freixo de Espada à Cinta (distrito de Bragança) a Santarém em “reconhecimento pelas boas práticas ambientais” e vai ser plantado de manhã.

Nesse dia será também criado o primeiro sumidouro de dióxido de carbono (CO2) numa escola do concelho, no âmbito do projecto “Raízes da Sustentabilidade”, que, desde 2015, promoveu a plantação de mais de 2.000 árvores autóctones e a criação, com este, de 17 sumidouros de CO2, envolvendo um total de 166 famílias e várias escolas do concelho.

O projecto, desenvolvido pela Equipa Multidisciplinar de Acção para a Sustentabilidade (EMAS) da Câmara de Santarém, procura promover a “mudança de mentalidades” e, “agindo no território e demonstrando boas práticas ambientais”, inspirar “a consciencialização da comunidade de que as alterações climáticas são uma realidade”.

A EMAS, liderada pela engenheira do Ambiente Maria João Cardoso, tem “procurado soluções que possam mitigar este problema, nomeadamente contribuir com projectos que promovam a redução dos gases com efeito de estufa, bem como a protecção e preservação das espécies autóctones”, através de participação pública, contribuindo para aumentar “a literacia ambiental” dos cidadãos do concelho, refere o texto de apresentação do projecto.

O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido procura responder ao compromisso de redução das emissões de dióxido de carbono em 21% até 2020 assumido, em 2010, no Pacto de Autarcas, acrescenta.

A criação de sumidouros de CO2, com a plantação de árvores, contribui para a mitigação dessas emissões, pelo que o projecto começou por entregar, em 2015, perto de meio milhar de sobreiros aos “munícipes que manifestaram interesse e que reuniam as condições para plantação e preservação desta espécie protegida”, indo ao encontro do objectivo da União Europeia de “travar a perda de biodiversidade e a degradação dos ecossistemas”.

Na primeira edição aderiram ao projecto 76 famílias, as quais permitiram criar a rede municipal “Famílias dos Sobreiros”, tendo sido constituído, com uma família residente em Vale de Figueira, o primeiro sumidouro de CO2 do concelho, com a plantação de 325 sobreiros (“Quercus suber”).

Em Março de 2016, mês em que se comemora o Dia Internacional da Floresta, o município lançou a segunda edição do projecto, convidando os munícipes a acolherem outra espécie autóctone, o pinheiro-manso (“Pinus pinea”), “de grande resistência à poluição urbana pela sua resiliência”, com 40 famílias a criarem a rede de “Famílias dos Pinheiros”.

Nesse ano, em Novembro, foram constituídos seis sumidouros de CO2, com a plantação de 750 pinheiros-mansos, 300 dos quais atribuídos pela Quercus, no âmbito do programa Floresta Comum, sendo que os restantes 500 distribuídos nesse ano foram oferecidos pela Resitejo, adianta a nota.

Na edição deste ano, o projecto “Raízes da Sustentabilidade” entregou um total de 650 azinheiras (“Quercus rotundifólia”) para a constituição dos sumidouros de CO2, obtidas igualmente no âmbito de uma candidatura ao programa Floresta Comum, que visa “incentivar a criação de uma floresta com altos índices de biodiversidade e de produção de serviços ecológicos, fazendo chegar os conhecimentos e as árvores às pessoas e instituições que possuem vontade e condições para intervir”.

A EMAS salienta que as árvores absorvem e armazenam dióxido de carbono, retirando-o da atmosfera, regulam a temperatura e o clima do planeta, fornecem sombra e protegem contra ventos e poluição sonora, além de que, através das raízes, retêm a água da chuva e evitam a erosão do solo, actuando as folhas como um filtro.

O projecto ambiental “Raízes da Sustentabilidade”, com marca registada pertencente ao município de Santarém, desde há um mês, tem por base o envolvimento dos cidadãos e a “implementação de políticas públicas ao nível local que contribuem indiscutivelmente para a missão global da melhoria das condições de vida da espécie humana no Planeta Terra”, sublinha.