Carlos BajancaNa Vila existiram três fortificações principais: (1) a Cidadela da Alcáçova mourisca, que se localizava no atual Jardim das Portas do Sol e que até ao século XIII foi vanguarda militar do aglomerado, (2) o Castelo da Vila, junto à Porta de Leiria, e (3) o Castelo de Valada, no extremo do Bairro do Pereiro. Na parte baixa, Ribeira dos Barcos e Alfange não existiram fortificações, limitando-se a sua defesa à existências de algumas cercas e muralhas.

A partir do século XIII verifica-se um gradual processo de descentralização do poder e de funções, da antiga Alcáçova para Marvila, circunstância que torna este bairro o espaço por excelência da Vila. A partir desta altura, a zona extramuros da Porta de Leiria assume grande importância económica, como Chão de Feira, comércio e mercados, mas também com vínculo religioso, por nas proximidades se erguerem inúmeros mosteiros e conventos de grande dimensão.

No século XIII, por ordem de D. João III, os Paços Reais são retirados da Alcáçova, apenas aqui permanecendo os Paços dos Mestres das Ordens de Cristo e de Avis. Da Alcáçova decadente é assim transferida a residência régia para uma nova fortificação militar que se levanta junto da referida Porta de Leiria. Esta nova fortificação passa a ser conhecida por Castelo da Vila, Paços Reais, ou ainda por Alcáçova Nova em oposição à “velha”, de origem muçulmana.

Relativamente ao Castelo de Valada, esta fortificação militar localizava-se na extremidade planáltica Sul/Sudeste da Vila, próxima do atual cemitério. Tratava-se de uma estrutura muito antiga, provavelmente já existente na época da conquista cristã. Do ponto de vista militar, pela sua localização, constituía o esporão de defesa do acesso Sul à Vila Alta. Aqui existia também a Porta de Valada, assim denominada por permitir o acesso aos campos de Valada e das Ómnias.

Não existe muita documentação sobre o Castelo de Valada. Consta que, no reinado de D. João I já se encontrava tão arruinado, sendo apenas “visíveis imponentes panos de parede em alvenaria de pedra, correspondentes à vertente virada a Nascente-Norte”. Sabe-se que, em 1404 aqui foi doado um chão para se instalar um curral para o gado, conforme texto da respetiva doação: “Temos por bem e damos-lhe o nosso chão da porta de Valada, que em outro tempo foi Castelo, para fazerem em ele um curral e meterem em ele o gado…”

A parte restante do Castelo de Valada foi posteriormente convertida nos Paços dos Duques de Bragança. Apesar do grave estado de conservação, sabe-se que, em 1590, o referido Paço foi doado pelo Duque D. Teodósio aos Arrábidos, para a instalação do Convento dos Capuchos.

Carlos Bajanca

*Texto publicado em edição impressa a 26 de Junho