artur casacaArtur Casaca acredita que ser empreendedor “é o que nos caracteriza enquanto Portugueses”. Também por isso, decidiu lançar no mercado a marca portuguesa Global Monarchy, que se posiciona no segmento do luxo. O nome vai buscar inspiração à obra Monarchia, de Dante Alighieri, e à ideia de Quinto Império ou Quinta Monarchia. Natural de Santarém, Artur Casaca, um “apaixonado pelo universo do luxo”, já comercializa as suas peças peças para as principais capitais mundiais: Macau, Paris, Londres e Barcelona.

O que o levou a lançar aquela que é a “primeira marca de luxo em Portugal”, a Global Monarchy?

Sou apaixonado pelo universo do luxo e há muito que acalentava o sonho de lançar uma marca própria. Depois, as nossas indústrias têxteis, calçado, chapelaria, curtumes aqui ao lado em Alcanena, entre outras relacionadas são hoje sobejamente reconhecidas internacionalmente. Ao constatar que faltava uma grife Portuguesa, que poderia representar uma evolução da cadeia e que tinha capacidade para concretizar esse desígnio, contribuindo para um sector que também é nosso tradicionalmente e ancestralmente, – a par de Itália e de outras potências co-protagonizamos a Rota da Seda e fomos pioneiros na globalização, – avancei.

Em que é que se inspirou para criar a marca?

A marca respira Portugalidade e a sua gesta, no seu espírito e simbolismo. Inspirei- me igualmente na moderna estirpe de cidadãos excelsos que hoje se movimentam pelo mundo com uma mundividência própria e que nos inspiram. Assim foram no passado heróis como Vasco da Gama, Pedro Alvares Pereira Cabral, entre outros. E contemporaneamente, como um dos exemplos vivos, o nosso artista Vhils que é uma figura de proeminência mundial. Um cidadão do mundo e um “Monarca” na sua área.

Como têm sido os resultados e a aceitação desta marca portuguesa de moda de luxo?

Mal apresentamos a primeira peça, em menos de uma hora, obtivemos procura de Montreal, Canada. Já enviamos peças para as principais capitais mundiais: Macau, Paris, Londres, Barcelona, entre outras. E acabamos de entrar em algumas lojas Portuguesas onde se registaram vendas. A montante, temos sido destacados em meios de comunicação generalistas e por estes dias na espectacular revista Soul da Associação Portuguesa de Calçado, que chega a mais de 100 países. Tudo isto é bom para a imagem do País e para a economia pois é tudo produzido cá, nas fábricas do norte que produzem para as marcas mais sonantes e que nunca tinham tido um cliente lusitano. O balanço plausível é equivalente ao valor intrínseco do projecto e da qualidade magnificente dos produtos.

Há espaço para crescer neste segmento?

Aqui há uns tempos atrás adorávamos todos comer comida rápida: comida de gordura saturada feita sabe se lá do quê, não nos importávamos se nos fazia mal, também não queríamos saber como eramos atendidos. Hoje em dia se não soubermos o que nos estão a oferecer ficamos reticentes ou não comemos, valorizamos muito mais o atendimento ou um espaço sereno onde possamos degustar um bom prato. Mais do que nunca valorizamos a alta qualidade. Que no caso da restauração é celebrada nos guias Michelin. Com a roupa houve uma evolução com paralelo. A sociedade prefere roupa com mais qualidade, mais bonita e especial, que cai melhor no corpo e que por isso até eleva a auto-estima, mais durável e logo mais amiga do ambiente, feita em fábricas que não exploram pessoas. O luxo está imparável no seu crescimento. A comprová-lo, com eminência, temos um Português na crista da onda que é o José Neves que fundou a inovadora empresa Farfetch, avaliada numbilião de dólares.

O que é, para si, ser empreendedor?

É o que nos caracteriza enquanto Portugueses. Agostinho da Silva frisava que Portugal foi criado, que Dom Afonso Henriques apoiado por Templários conquistou um espaço que pertencia a Espanha e empreendeu um País. Os descobrimentos foram outra iniciativa magnânima. Também ressalvo as palavras do Nobel Muhammmad Yunus: «Todos os seres humanos são Empreendedores. Quando estávamos nas cavernas, éramos trabalhadores por conta própria (…)»

Sendo um leitor acérrimo, que três livros sobre Portugal recomendaria?

Portugal, A Primeira Aldeia Global. Como sobreviver a Portugal, continuando a ser Português. E quase todos do Historiador José Manuel Gandra pois descodificam muito sobre Portugal desde a crucial Batalha de Ourique.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?

Teria evitado a expropriação dos Templários. Ao saírem de Portugal fixaram-se na Suíça para onde levaram conhecimentos avançados na altura, como os da banca, e toda uma cultura que nos caracterizava enquanto nação verdadeiramente valente. Há quem diga que o tesouro deles permanece em Sintra e que será revelado quando Portugal volte a ser Portugal. Para que se corrobore esta teoria que alguns políticos após o 25 de Abril de 1974 tem tentado sonegar, repare-se que a Suíça que é dos melhores Países da actualidade tem na bandeira do País uma cruz. Os logotipos de inúmeras marcas Suiças como a Victorinox, Tissot, entre muitas outras são cruzes.

Viagem?

Devo ir a Nova Iorque brevemente que podia ser a viagem, mas não é essa. É Tóquio e o Japão que são um mundo à parte do mundo e estão avançados. E enquanto Portugueses temos mais afinidades. A tempura e o pão, por exemplo, foram levados para lá por nós.

O que mais aprecia nas pessoas?

Humanismo, integridade, humildade, ousadia e a rara capacidade de se assumirem elas mesmas.

O que mais detesta nelas?

Pobreza de alma, a negatividade e o espírito do Velho do Restelo que espero que todos sejamos capazes de erradicar.

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