macao vasco estrela
Vasco Estrela é presidente da Câmara de Mação, um concelho do interior que luta contra o despovoamento, segundo o autarca, “o maior e mais difícil desafio que atravessamos”. 

Quais são os principais desafios que se levantam, na actualidade, a quem gere politicamente a Câmara de Mação? 

Considero que os maiores desafios consistem, sobretudo, em proporcionar o melhor a quem cá vive. Somos um Concelho do Interior, com os constrangimentos inerentes que todos conhecemos, pelo que a nossa acção se prende com a qualidade de vida dos nossos Munícipes, com uma aposta muito forte na área social, na educação, no empreendedorismo, na valorização do nosso território e inovação social.

O despovoamento é, sem dúvida, o maior e mais difícil desafio que atravessamos.

Mação convive de perto, todos os anos, com o drama dos incêndios. O que poderá fazer-se para que para o ano a situação se altere? 

Mação já fez muito no sector florestal, mas sozinhos não conseguiremos combater o flagelo dos incêndios. Por muito que façamos, e temos feito, a ameaça de um incêndio florestal paira sempre sobre nós.

É preciso uma política nacional sólida que promova uma profunda alteração no ordenamento do território e que combata definitivamente o sistemático abandono florestal. É uma posição que defendemos há largos anos e cujas propostas já tivemos oportunidade de apresentar a sucessivos Governos.

Defendemos a criação e implementação das Zonas de Intervenção Florestal (ZIF) para o desenvolvimento e sustentabilidade do território florestal.

É preciso mudar a mentalidade dos proprietários para poder implementar as ZIF, mas esse “trabalho de casa” já nós fizemos. Esperamos por uma legislação que siga esse caminho, o da implementação das ZIF de gestão total, mas que tarda em chegar. Temos hoje a certeza que este é o único caminho para criar uma floresta sustentável.

Os alunos de Mação vão ter refeições, transportes e manuais escolares gratuitos. Acredita que este incentivo contribuirá para a fixação das populações neste concelho? 

Não digo que seja o elemento que fará com que uma família decida vir viver para Mação, mas admito que poderá ser um factor de ponderação, juntamente com todos os outros benefícios que aqui proporcionamos às famílias, para que pensem que, de facto, vale a pena cá viver. Mação tem futuro e tem mesmo!

Apoiamos os Maçaenses e para eles trabalhamos. Temos feito um trabalho de fundo neste sentido. Não tenho dúvidas que os nossos Munícipes, desde a tenra infância à terceira idade, encontram em Mação melhores condições e qualidade de vida do que qualquer Munícipe que resida em grandes centros urbanos.

O que se poderá esperar da integração de Mação na Rede Global de Cidades da Aprendizagem da UNESCO? 

Poder-se-á esperar uma enorme partilha de conhecimentos e experiências entre os vários membros que integram esta Rede. Acima de tudo, poderemos levar a outras comunidades aquilo que fazemos em Mação e poderemos contar com a parceria de entidades de vários pontos do mundo. Faremos parte de uma interessante rota do conhecimento e da aprendizagem para a qual iremos contribuir, mas da qual também retiraremos os respectivos proveitos em prol da aprendizagem e educação dos Maçaenses e daqueles que por cá passarem (mestrandos, doutorandos, investigadores…).

Esta integração é o reconhecimento do trabalho que aqui vem sendo feito ao longo de muitos anos e isso deixa-nos extremamente satisfeitos.

Lema de Vida? 

Tenho mais do que um lema. Depende muitas vezes das circunstâncias. Mas o ser justo com os outros, e comigo próprio, é uma preocupação que sempre me acompanha.

Se algum dia pudesse ser actor num filme que género preferiria? 

Comédia. Para descontrair da seriedade, necessária, do dia-a-dia.

Viagem de sonho? 

Está por fazer…

Prato preferido? 

Bacalhau com grão/feijão-frade com atum.

Música e livro preferidos? 

Sultans of Swing (Dire Straits). Livros bibliográficos de política, preferencialmente, para perceber as razões que estão por trás de algumas decisões.

Acordo ortográfico, sim ou não?

Não.