Francisco Reis não tem dúvidas que, sem o movimento folclorista, há muito que a maior parte das pessoas “não saberia uma cantiga, uma dança ou o que é um simples barrete”.

Membro do Grupo Académico de Danças Ribatejanas, de Santarém, onde se estreou com quatro anos, Francisco Reis confessa que integrar o grupo e dançar é das coisas que mais gosta de fazer. Nas vésperas de mais um Festival Celestino Graça, o estudante de agronomia antevê um evento “cheio de força”.

Com que idade começou no Grupo Académico e por influência de quem?

Como dizemos, estreei-me com quatro anos. Na altura, os meus irmãos eram componentes do Grupo Infantil de Dança Regional e era raro falhar um ensaio. No inicio não queria dançar, mas a D. Graça Graça, directora ténica dos Grupos Infantil e Académico, foi-me integrando nos ensaios, e ao fim de uns tempos fiz a minha primeira actuação.

Que memórias guarda desses tempos?

Não são tantas como desejava, mas não se esquecem as horas infinitas de convívio tanto na sede do Grupo como em qualquer local onde fossemos dançar, todas as peripécias em cima do palco, e claro, os “desnecessários” ralhetes da D. Graça, que hoje, como colaborador nos ensaios do grupo infantil, vejo como essenciais.

O que o motivou a ficar ligado ao Grupo?

Principalmente o gosto pelo folclore. Mas nunca esquecendo o que somos enquanto Grupo, o gosto particular que tenho por dançar e pelo gozo que dá conseguirmos fazer espectáculos da qualidade que fazemos e termos o sucesso que temos tido. É das coisas que mais gosto de fazer.

Porque é para si importante fazer parte de um grupo etnográfico?

Sou de tradições. O maior desgosto que tenho, é pensar que num curto espaço de tempo este património que nos foi deixado, todas as singularidades que nos definiram e continuam a definir, a nível de trajar, tradição oral, etc. se vão perder. Tenho consciência que esta não é a única nem a melhor forma de o fazer, mas a verdade é que sem este movimento folclorista há muito que a maior parte das pessoas não saberia uma cantiga, uma dança ou o que é um simples barrete.

Que actuações mais o marcaram?

Todas marcam. Penso que não há uma actuação em que não tenhamos uma história para contar, seja ela qual for. Este ano estivemos nos Açores e foi lindo, mas destaco o Festival de Confolens onde estivemos no ano passado e onde o grupo se destacou, quer fazendo espectáculos de uma qualidade incrível, quer marcando pessoas de todo o mundo com a cultura ribatejana.

O que pensa da elevação do Fandango a Património da UNESCO?

Acho que faria mais sentido, se o Fandango ainda estivesse vivo no dia-a-dia da gente. Era uma sorte. Por exemplo, em Arcos de Valdevez há grupos de pessoas que ainda se juntam todos os Domingos à tarde para dançar o vira, a chula, a cana verde e cantar em polifonia. O Fandango praticamente só tem vida em cima dos palcos e penso que esta realidade já não vai mudar, independentemente do seu estatuto. De qualquer maneira, estamos cá para o que der e vier.

Que expectativas tem para a edição deste ano do Festival Celestino Graça?

Muitas. O Grupo tem feito muito para que o Festival acompanhe a mudança dos tempos e para que seja um evento marcante para a cidade. Santarém não é uma cidade fácil, mas nem por isso o Festival tem mostrado menos força. Este ano contamos com grupos muito promissores e com inúmeras actividades ao longo de todo o dia, na Casa do Campino e pela cidade. Apareçam!

Viagem?

Todos os recantos que ainda estão por conhecer. O Portugal menos conhecido é o que mais me fascina.

Música imprescindível?

O site de ‘A Música Portuguesa a Gostar dela Própria’ é um mundo.

Quais os seus hobbies preferidos?

Agricultura, embora seja a minha profissão, cantar e dançar.

Se pudesse alterar um facto da história qual escolheria?

Holocausto.

Se um dia tivesse de entrar num filme que género preferiria?

Um filme que retratasse Portugal e as suas tradições era bem-vindo.

O que mais aprecia nas pessoas?

Autenticidade.

O que mais detesta nelas?

A falta de humildade.

Acordo ortográfico. Sim ou não?

Indiferente. Lamento mais a perda de certas palavras e expressões tipicamente nossas, do que propriamente letras nas palavras.