Tal como anunciado, e mau grado algum susto provocado pelas chuvas da véspera, teve lugar no passado dia 1º de Maio, no Cartaxo, uma corrida de toiros à portuguesa cujo cartel suscitou razoável afluência de público, preenchendo cerca de ¾ da lotação útil do tauródromo.

Em praça estiveram os cavaleiros Luís Rouxinol, Ana Batista e Manuel Telles Bastos e os Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e do Cartaxo, que enfrentaram novilhos- toiros de Prudêncio, que saíram desiguais de apresentação e de comportamento. Luís Rouxinol esteve alguns furos abaixo do nível elevado a que nos habituou, apresentando algumas montadas ainda aquém da forma desejada, o que poderá ter tido reflexo nas excessivas passagens em falso e nos demasiados toques que consentiu.

É certo que lhe tocou em sorte (!) o pior lote, mas, tendo em conta a experiência e a categoria do cavaleiro de Pegões, era suposto que pudesse desenvolver labor de maior merecimento. Inconstante na colocação da ferragem, ora descaída ora em sortes aliviadas, Luís Rouxinol apenas a espaços conseguiu dar uma pálida ideia das grandes actuações que já lhe apreciámos. Melhores dias virão…

Ana Batista enfrentou um lote de razoáveis condições de lide, porém, a cavaleira de Salvaterra de Magos não recuperou ainda a boa forma que apresentava quando na última temporada suspendeu a sua actividade, por razões de saúde, felizmente já debelados, nem as suas montadas evidenciaram a mesma disponibilidade, pelo que as suas lides resultaram algo sensaboronas e com pouco interesse artístico. É claro que se lhe apreciam sempre detalhes de boa nota artística, contudo, espera-se sempre mais de uma cavaleira tão competente e experimentada.Para memória futura poucos detalhes pudemos reter…

Manuel Telles Bastos, sem alcançar nenhum triunfo rotundo, foi o marialva que logrou exibir-se em melhor nível técnico e artístico, elegendo mais adequadamente os terrenos e as distâncias e colocando mais meritoriamente a ferragem da ordem, todavia, sem atingir o plano que lhe é peculiar. Rubricou algumas sortes meritórias pela verdade dos terrenos que pisou, colocando certeira ferragem, porém, não evitou alguns toques nas suas montadas e nem sempre rematou como mandam as regras as sortes
a sesgo, em que deveria ter rematado por dentro. Enfim, estamos em fase inicial de temporada, pelo que é natural que nem tudo esteja ainda a preceito, mas, o que é verdade é que o público paga o bilhete e deve exigir a melhor qualidade dos artistas em praça.

No que concerne às pegas, o Grupo de Forcados Amadores de Lisboa teve como solistas João Varanda e António Galamba, que consumaram as suas sortes ao primeiro intento, e Martim Cosme, que se fechou apenas ao segundo, e pelo Grupo de Forcados Amadores do Cartaxo, que efectuou a sua primeira actuação após ter sido aceite na Associação Nacional de Grupos de Forcados, foram solistas os forcados Bernardino Campino, Cabo do Grupo, Fábio Beijinho e Duarte Campino, que concretizaram todas as pegas à primeira tentativa.

Direcção atenta e correcta de Lourenço Luzio, como é hábito, e boas intervenções dos peões de brega e dos campinos. Enfim, em Dia do Campino, no Cartaxo, viveu-se uma tarde de toiros que, sem ser de grande qualidade, se viu com interesse.

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