Teve lugar nas instalações do LNEC – Laboratório Nacional de Engenharia Civil, em Lisboa, nos pretéritos dias 2 e 3 de Novembro, o Congresso Ibero-Americano subordinado ao tema “Património, suas matérias e imatérias”, o qual pretendeu fomentar o ambiente propício ao estabelecimento de diálogos cruzados entre investigadores, técnicos e especialistas, oriundos de diferentes áreas disciplinares, que estivessem interessados em reflectir e discutir o Património Cultural nas suas distintas componentes materiais e imateriais, incluindo as problemáticas socioculturais que lhe estão associadas.

Este Congresso resultou da organização conjunta do Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC), do Centro em Rede de Investigação em Antropologia do Instituto Universitário de Lisboa (CRIA) e do Centro de Estudos Internacionais do ISCTE-IUL (CEI-IUL).

Mercê da pertinente participação dos Drs. Luís Capucha e Marco Gomes, também a Tauromaquia esteve presente neste Congresso Ibero-Americano através da comunicação “Tauromaquia, cultura com sabor de Festa”. Sendo conhecida a adversidade do meio académico ao tema taurino, o aproveitamento desta oportunidade foi muito interessante e contribuiu para uma vez mais se confrontar um influente sector da nossa sociedade com uma tema que é tão controverso nos tempos que vivemos, dada a aliança estratégica dos anti-taurinos em Portugal e nos demais países onde a tauromaquia tem tradição.

Nesta sua aplaudida comunicação estes dois ilustres aficionados dissertaram sobre a multifacetada arte tauromáquica e os seus intervenientes directos. O toiro de lide e a acção de cavaleiros, matadores e forcados foram abordados de uma forma que despertou elevado interesse entre os participantes no Congresso, académicos e investigadores vindos de diversas universidades de Espanha, América do Sul e Portugal.

Também as tauromaquias populares – a Vaca das Cordas, as Touradas à Vara Larga, a Tourada à Corda, as Picarias, as Esperas de Touros, a Capeia Raiana e as variantes específicas de Barrancos e de Monsaraz – foram amplamente explanadas, proporcionando a visão aglutinadora das gentes que se movem em torno delas. A simbologia tauromáquica e a estética que está subjacente a esta tão apreciada arte, foram igualmente analisadas enquanto fonte de inspiração na moda, na escultura, na música, na literatura e na pintura.

A finalizar, os Drs. Luís Capucha e Marco Gomes exaltaram os valores sócio-culturais da Tauromaquia e o seu papel na educação dos mais jovens, salientando-se que cada vez existem mais crianças, tanto no espaço rural como no ambiente urbano, que querem descobrir o enigmático mundo do Toiro, pese embora as maiores obstruções com que têm de se debater, a maioria das vezes por atitudes preconceituosas de familiares e educadores. Após a apresentação da sua comunicação, os autores responderam fundamentadamente às questões pertinentes, curiosas e interessadas dos congressistas, entre as quais se colocou a razão por que ainda não se projectou uma candidatura da Tauromaquia a Património Cultural Imaterial.