Mourão, 1 de Fevereiro 2017, às 15 horas; Festival Tauromáquico Misto; Cavaleiros – Francisco Núncio, F. Correia Lopes e António Ribeiro Telles (Filho); Forcados Amadores da Póvoa de São Miguel; Novilheiros – Joaquim Ribeiro “Cuqui”, Diogo Peseiro e Manuel Perera; Novilhos de Manuel Calejo Pires; Director de Corrida – Agostinho Borges; lotação – ¾ de Casa.

Como vem sendo hábito, a caminho da tradição, a temporada taurina abriu uma vez mais em Mourão, no passado dia 1 de Fevereiro, no âmbito das tão carismáticas festas populares em honra de Nossa Senhora das Candeias.

O bem cuidado tauródromo – defendido durante a semana com um oleado para proteger a arena da infiltração das águas da chuva que se fez sentir – recebeu um expressivo número de aficionados que encheu literalmente os sectores do Sol e preencheu muito significativamente os sectores da Sombra. A crise não perdoa… Este primeiro espectáculo, um festival de jovens promessas do toureio, correspondeu às expectativas, pois, o resultado artístico foi bastante positivo, tendo-se destacado Diogo Peseiro e António Ribeiro Telles (Filho) que protagonizaram os mais belos e emotivos momentos da tarde. Os novilhos-toiros de Manuel Calejo Pires estavam bem apresentados, muito cómodos de cabeça os que foram escolhidos para a lide a pé, e bem compostos de carnes, investindo satisfatoriamente.

Francisco Núncio enfrentou o primeiro novilho da tarde e andou em plano razoável, apesar de não ter logrado sacar o triunfo que certamente desejaria, pois, as montadas nem sempre colaboraram, tendo sofrido ainda uma queda aparatosa, e despachou a ferragem da ordem em sortes, por vezes, aliviadas, não pisando os terrenos de maior aperto. Núncio tem ainda um longo espaço de evolução, mas parece-nos reunir condições para conseguir honrar o seu tão prestigiado apelido.

Correia Lopes alardeou boas faculdades técnicas, privilegiando sempre a correcção na definição de cada sorte, marcando-lhe bem os tempos, a citar, a aguentar a investida e a cravar bem a ferragem comprida e curta em sortes onde, por vezes, transmitiu alguma emoção ao conclave. Muito há a esperar deste jovem marialva, sobretudo se conseguir reforçar a sua cuadra de cavalos. Gostámos de apreciar a sua preocupação em fazer tudo como mandam as regras e é assim que se começa.

O jovem António Ribeiro Telles não começou da melhor forma a sua actuação, não parando para citar e colocando muito descaído o seu primeiro ferro comprido, porém, a partir daí, mais repousado e desenvolvendo uma brega muito acertada, tanto na escolha dos melhores terrenos como na definição das diversas sortes, foi consolidando uma lide muito interessante rematada de forma superior com dois ferros curtos irrepreensíveis, e que dão a boa medida das elevadas potencialidades técnicas e artísticas do mais jovem marialva da Torrinha.

Joaquim Ribeiro “Cuqui” é um experimentado novilheiro, consciente do seu labor, pelo que iniciou a sua actuação lanceando o capote com elegância e sentimento, a que correspondeu um vistoso quite de Diogo Peseiro, e uma menos conseguida resposta de “Cuqui”, que sofreu uma feia voltareta, de que se receou o pior, dada a forma como caiu, tendo sido, em seguida, conduzido à enfermaria. Felizmente, não terá passado de susto. Entretanto, o novilho foi superiormente bandarilhado por Pedro Gonçalves e por Cláudio Miguel, e o diestro, ainda mal recomposto, mas pleno de determinação, rubricou uma faena correcta, algo apática (compreensivelmente), mas onde foi possível apreciar a qualidade do jovem toureiro, que no final foi saudado pelo público.

Diogo Peseiro está a atravessar um bom momento na sua carreira, pois tem registado interessantes actuações além-fronteiras e está, por isso, muito moralizado. Lanceou superiormente o capote por ambos os lados e cravou três poderosos pares de bandarilhas, demonstrando as excelentes condições que possui para este tércio.

Com a flanela, Diogo Peseiro esteve em bom plano, rubricando vistosas tandas de derechazos e de naturais, numa faena perfeita, na qual evidenciou elevados atributos técnicos e artísticos. No final foi muito ovacionado, justo prémio para uma actuação muito séria.

O último novilho da tarde, pequenote, foi lidado pelo diestro espanhol Manuel Perera, o mais jovem da terna. Rubricando um toureio muito “pinturero”, diversificado e dinâmico, Manuel Perera teve o condão de prender desde logo a atenção do público, que entusiasticamente o aplaudiu.

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Após um bom tércio de bandarilhas a cargo da sua quadrilha, Manuel Perera exibiu-se com muito agrado em vistosas tandas por ambos os pitons e o público não lhe regateou ovações. Naturalmente, Manuel Perera não esteve perfeito, tendo, até, sofrido uma voltareta durante a faena, o que não o perturbou, mas tem algo que é muito importante, que é a capacidade de chegar ao público. No final foi, justamente, muito ovacionado.

O Grupo de Forcados Amadores de Póvoa de S. Miguel cumpriu sem dificuldades a sua tarefa, consumando a primeira pega
à segunda tentativa, por alguma ineficácia nas ajudas, e as restantes ao primeiro intento, com boa prestação dos forcados da cara, cujos nomes não conseguimos apurar, e coesas intervenções de todos os ajudas.

Direcção regular de Agostinho Borges e boa intervenção das diversas quadrilhas de peões-de-brega e bandarilheiros. No final, o público saiu satisfeito e, quando tal acontece, é bom augúrio. Venha a temporada!