Rui Salvador e Nuno Santana (GFA Alcochete) Lx 1-10-2015A Corrida de Gala à Antiga Portuguesa com que a Sociedade do Campo Pequeno encerrou a temporada de 2015 no tauródromo da capital constituiu um êxito notável, com cavaleiros e forcados a aproveitarem superiormente a corrida de Passanha, de apresentação irrepreensível e de comportamento muito satisfatório, oferecendo ao público, na praça e através da transmissão televisiva, um espectáculo muito agradável. Daqueles que, sem serem de excelência, têm o condão de fazer aficionados!

A noite era duplamente festiva, pois, incluía no seu programa uma justíssima homenagem ao veterano cavaleiro tauromáquico D. Francisco de Mascarenhas e também o encerramento da temporada lisboeta, com a pompa e circunstância habitual desde a reinauguração da Praça, suscitando uma muito razoável afluência de público.

António Ribeiro Telles rubricou uma boa actuação, impondo o classicismo do seu toureio para levar de vencida o primeiro toiro da noite, que não sendo complicado por aí além também não facilitou a vida ao marialva da Torrinha. Porém, o seu ofício e a sua competência permitiram- lhe estar em muito bom plano.

Outro tanto se poderá dizer de Rui Salvador que esteve irrepreensível na lide de um toiro difícil, frente ao qual o cavaleiro nabantino logrou encontrar soluções para cravar a ferragem da ordem em sortes muito poderosas e emotivas. Quando a veterania é atributo de competência e de poder tudo está bem!

Fermín Bohórquez, apreciado rejoneador andaluz, veio ao Campo Pequeno despedir-se da afición portuguesa e fê-lo com a dignidade com que em outras ocasiões pisou arenas lusas. Perfilhando o estilo de rejoneio que marcou a sua trajectória e a da maioria dos ginetes espanhóis da sua geração, Bohórquez foi-se desincumbindo da ferragem em sortes algo aliviadas e sem a definição dos tempos com a cadência marialva, mas ainda assim andou num plano satisfatório.

Ana Batista rubricou uma memorável actuação. Apresentando uma excelente montada que lhe permitiu desenvolver uma brega cuidada e vistosa, colocou os ferros compridos e curtos em sortes poderosas, templadas e muito correctas. Esta foi uma das melhores actuações que lhe apreciei, pelo menos que me lembre, e a bonita cavaleira de Salvaterra de Magos empolgou-se com o desenrolar dos acontecimentos e rematou esta sua importante actuação com um ferro de palmo, muito justamente aplaudido pelo respeitável. Muito bem!

Marcos Bastinhas, o único cavaleiro que não brindou a sua lide a D. Francisco de Mascarenhas, pois brindou a seu pai, retido em casa em fase de convalescença, esteve em plano de triunfo. Bregou com acerto e diligência, cravou emotiva ferragem em sortes perfeitas a pisar terrenos de compromisso e emprestou muita alegria e vivacidade ao seu labor, que rematou com um palmito e um bom par de bandarilhas, a imitar seu pai, até saltando do cavalo em plena arena para recolher os fortes aplausos do público, que vibrou com a sua actuação. Não havia necessidade, mas…

A encerrar esta noite – longa, mas interessante – actuou o jovem Luís Rouxinol Jr. que rubricou uma actuação de muita qualidade. Denotando muita intuição e uma constante evolução técnica e artística, o jovem cavaleiro de Pegões entendeu- se na perfeição com o seu oponente e cravou a ferragem em sortes muito meritórias, adequando sempre bem as distâncias e os andamentos da montada. Quem sai aos seus…

Os toiros de Passanha não consentiram equívocos e saíram duros no momento da pega, batendo sempre até às tábuas, onde tentavam, e várias vezes conseguiram, despejar o forcado da cara, quando parecia que a sorte já estava consumada. Pelos Amadores de Lisboa foram solistas Manuel Guerreiro, numa rija pega ao primeiro intento, e Pedro Gil e Eurico Medronheira que também consumaram duas valorosas pegas, ambas ao segundo intento. Pelos Amadores de Alcochete, Nuno Santana rubricou uma excelente pega, à segunda tentativa, com uma qualidade e um mérito notáveis, pelo que justamente deu duas voltas à arena; António José Cardoso consumou a sua sorte à terceira tentativa, depois de ser violentamente derrotado nas anteriores tentativas, e o Cabo Vasco Pinto concretizou igualmente uma valorosa pega ao segundo intento, após haver sido desfeiteado no primeiro.

Ana Batista - Coruche

*Texto publicado em edição impressa de 9 Outubro

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