Para além dos seus monumentos Património da Humanidade e do legado templário e de estar integrada nos caminhos de várias peregrinações, Tomar é ponto de confluência das três grandes religiões e isso pode ser um trunfo cultural e turístico de grande relevância. Foi esta, em traços largos, a principal conclusão do debate “Peregrinos e turistas: em diálogo na construção de cidadania”, que ontem decorreu na Biblioteca Municipal desta cidade, juntando alguns dos maiores especialistas nacionais na matéria.

Foi mesmo lançado o repto para que Tomar acolha um congresso sobre este tema, prontamente aceite pela presidente da Câmara, Anabela Freitas, que tem sido uma defensora da valorização dessa herança ecuménica, e que afirmou que, “pensando a longo prazo, devemos ser uma Córdova à nossa dimensão”.

O debate, último do Roteiro para o Diálogo Inter-religioso e Cultural que decorreu em vários pontos do país, organizado pela Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona, contou com as participações, além da autarca, do padre Carlos Godinho (Obra Nacional da Pastoral do Turismo), António Caria Mendes (da Associação de Amizade Portugal-Israel), João Serrano (economista, representante da Confraria Ibérica do Tejo), Pedro Machado (presidente da Entidade Regional de Turismo do Centro de Portugal), Rui Lomelino de Freitas (professor de Gnose e Esoterismo Ocidental). Joaquim Franco (do Observatório para a Liberdade Religiosa) foi o moderador, cabendo o comentário final a Paulo Mendes Pinto (da Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona).

Das diversas intervenções ficou também a ideia de que, para além do intuito estritamente religioso, o turismo cultural é hoje uma das principais motivações do viajante, o que faz de Tomar um lugar ainda mais apetecível, se souber tirar partido do seu património material e imaterial.

Um registo ainda para as palavras de António Caria Mendes, que representou o judaísmo (a representante do islamismo, Filomena Barros, teve que cancelar a sua participação à última hora por imperativos académicos), e que afirmou que, “porque teve aqui a nata do judaísmo em termos históricos” e por que é hoje o repositório de quase toda a epigrafia judaica em Portugal, Tomar deveria “ser considerada a capital dos judeus em Portugal”.

A iniciativa integrou-se na programação do dia Cidadania em Portugal, da responsabilidade da ANIMAR, em parceria com o Município e com o apoio do gabinete da Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, que decorreu ontem em Tomar.