Alexandre da Fonseca Tavares nasceu em Torres Novas, a 19 de Junho de 1900, sendo filho do chefe da estação telégrafo-postal, Francisco de Paula Tavares e de Maria Henriqueta de Paula Tavares. Dessa união nasceram Henriqueta, Aurora, casada com o capitão de Cavalaria 4, Raúl José Pereira e Humberto, industrial em Torres Novas e casado com Georgina de Oliveira Coelho Tavares.

Uma década depois, a família fixou-se em Santarém onde Alexandre frequentou o Liceu. Cedo demonstrou a sua apetência para a guitarra e especialmente para a viola, tendo integrado a Tuna Académica.

A 12 e 13 de Fevereiro de 1916, participou, no Grémio Literário Guilherme de Azevedo, na opereta “O Sonho de Luísa”, de José Avelino de Sousa (1877-1933) e dirigida por Jacobetty Rosa, promovida pela direcção do Núcleo de Santarém da Liga Nacional de Instrução, em benefício da Cantina Escolar.

Em 1918, iniciou a sua carreira profissional nos Correios de Santarém, aproveitando os seus conhecimentos do código Morse, enquanto nos seus tempos livres se dedicava ao ensino da guitarra e da viola, aos espectáculos e ao convívio em tertúlias fadistas.

A 3 de Setembro de 1942, faleceu, em Santarém, o seu pai Francisco de Paula Tavares, com 84 anos, num período em que Alexandre já era casado com Olímpia de Oliveira Leitão Tavares. Em Dezembro de 1943, dessa união nasceu uma filha.

Segundo a ordem de serviço do Batalhão n.º 48, da Legião Portuguesa, datada de 6 de Abril de 1943 e assinada pelo tenente António Antunes Basílio (1895-1976), o legionário Alexandre Tavares estava dispensado de todo o serviço até ao final de Julho desse ano. No final de Maio ou início de Junho do ano seguinte, passou por Lisboa.

Alexandre Tavares era um assíduo frequentador do café Central onde gostava de conviver com os amigos demonstrando sempre uma alegria contagiante pois era um excelente contador de anedotas e estórias. A maioria dessas estórias era protagonizada pela sogra que, como gostava de dizer, lhe tinha dado 20$00 para pagar o café mas lhe recomendava a devolução dos 18$50 do troco. A sua boa disposição levou a que os amigos do Central não acreditassem que a II Guerra Mundial tinha terminado a 7 de Maio de 1945, conforme Tavares afirmava ter descodificado em algumas mensagens chegadas aos Correios.

Em 1947, Salvador Supardo (1892-1965) tentou fundar um grupo musical amador apenas com instrumentos de corda. Alexandre Tavares contava-se entre os instrumentistas que ensaiavam no salão dos Bombeiros Voluntários. O projecto acabou por não se concretizar, não passando de um animado e permanente convívio entre esses músicos amadores de Santarém.

Neste período, o maestro José Belo Marques (1898-1987) apresentou em Santarém a sua Orquestra Típica da Emissora Nacional, que animava os “Serões para Trabalhadores”. Impressionado com a exibição da referida orquestra e considerando a anterior experiência musical, António Gavino (1923-2005), aluno de piano de Judite David (1916-2004), contactou com Alexandre Tavares, pleno conhecedor da actividade musical da cidade, que o ajudou a organizar a Orquestra Típica Scalabitana e a aumentar o número de músicos. Segundo João Gomes Moreira (1922-), os dois amigos combinaram, no café Central, os contactos com os músicos e a orquestração de alguns temas para a referida Orquestra. Alexandre Tavares tornou-se um executante assíduo de viola e de guitarra, a partir de 1946, na Orquestra Típica, ligação que durou cerca de quarenta anos, apresentando sempre o seu ribatejanismo que expressava com alegria e orgulho.

Ao longo do seu percurso artístico acompanhou solistas com o guitarrista Manuel Marques (1926-) antes de emigrar para o Brasil e a acordeonista Fernanda Guerra (1935-).

Na memória de João Gomes Moreira ficaram as sessões de desgarrada e de improviso poético protagonizadas pelos amigos Alexandre Tavares e José Luís Nazareth Barbosa (1926- 2012).

Por iniciativa de Alexandre Tavares decorreu, a 12 de Junho de 1952, na sede do Grémio dos Industriais da Panificação, um almoço de confraternização dos elementos que constituíam a Orquestra Típica Scalabitana que contou com animação musical. Na segunda metade da década de 50, participou no grupo “Os Marialvas” fundado por Carlos Lisboa (1941-2017) e que animou com as suas tertúlias as noites fadistas das Feiras do Ribatejo.

Em 1962, aposentou-se dos Correios. Seis anos mais tarde, viajou a França, região da Bretanha, e ao Luxemburgo integrado numa embaixada ribatejana com o Coral do Ribatejo, dirigido por Victor Faria (1928-2013). Tavares acompanhou os representantes do fado, Carlos Lisboa, Maria Fernanda Rodrigues e Carlos Barra.

A 4 de Maio de 1979 foi homenageado com um jantar convívio no Pavilhão Social organizado por José Carlos Garcia (1934-), Armando Paulo, Carlos Lisboa e Valdemar Pereira.

O solista do tema “Balada” faleceu a 6 de Dezembro de 1987. Segundo José Luís Nazareth Barbosa perdeu-se um “bom conversador, homem de iniciativa, espírito boémio e comunicativo, que se popularizou pela sua franca simpatia e gosto pela música”.

Bibliografia:
Moreira, João Gomes, Discurso Proferido na Homenagem a António Gavino, [Santarém], [texto policopiado], 20/3/1994. Barbosa, José Luís Nazareth, Homenagem a Alexandre Tavares, [Santarém], [ementa do jantar], 4/5/1979.