A escritora portuguesa Maria Teresa Horta rejeitou há alguns dias o equivalente a 4 mil euros pelo quarto lugar ex aequo que foi atribuído à sua obra Anunciações no âmbito do prémio literário brasileiro Oceanos 2017. O primeiro lugar coube à portuguesa Ana Teresa Pereira com Karen, que arrecadou cerca de 26 mil euros, o segundo lugar ao brasileiro Silvano Santiago com Machado e o terceiro lugar ao português Helder Moura Pereira com Golpe de Teatro, sendo que o quarto lugar de Maria Teresa Horta foi partilhado com o brasileiro Bernardo Carvalho com Simpatia pelo Demónio.

Já não é a primeira vez que Maria Teresa Horta cria polémica relacionada com a atribuição de um prémio literário. Em 2012, recusou receber das mãos do então Primeiro Ministro Pedro Passos Coelho o Prémio D. Dinis, que premiava o seu monumental livro

As Luzes de Leonor, dedicado à Marquesa de Alorna. No caso atual, a escritora e poetisa justifica a sua decisão no Facebook ”por respeito pela Literatura, por respeito pelas minhas leitoras e os meus leitores, e sobretudo pelo respeito que devo a mim própria e à minha já longa obra”.

Se me tivessem sido atribuídos 4 mil euros num prémio literário, de certeza que não os enjeitaria porque tenho há muito uma bateria Pearl Decade Maple em vista! Mas compreendo que Maria Teresa Horta não é uma autora qualquer e que, provavelmente, 4 mil euros não lhe farão muita falta. O que esta história me faz refletir é sobre a importância destes prémios. Para quem são eles importantes?

Há prémios maiores e menores, uns mais dirigidos a autores consagrados, como é Maria Teresa Horta, outros mais ao jeito de novos autores.

Qual seria realmente a importância que alguém como Maria Teresa Horta veria num quarto lugar ex aequo, quando já é reconhecida como uma das maiores escritoras e poetisas vivas da língua portuguesa?

Seria a aceitação do prémio uma aceitação de que a sua obra está atrás das primeiras três e ao lado da quarta?

É claro que Maria Teresa Horta não poderia aceitar isso, não porque ela se ache imbatível, mas porque não pode haver gradações desse nível em literatura. Os prémios literários, na minha opinião – e parece ser essa também a de Maria Teresa Horta – deveriam ser unitários, para não haver melindres. Um único premiado de cada vez e ficaria contente quem ganhava e só menos contente quem não era escolhido. A literatura não se classifica, lê-se.

Sofia Venturinha