Ricardo Gonçalves, 42 anos, natural da freguesia de Azoia de Baixo, recandidata-se pelo PSD à Câmara de Santarém.

Licenciado em Economia, com Pós-Graduação em Direito das Autarquias Locais, foi presidente da Junta de Freguesia de Azoia de Baixo e membro da Assembleia Municipal de Santarém entre 2002 e 2005, tendo sido eleito Vereador da Câmara Municipal de Santarém em 2006. Em 2012 assumiu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Santarém, cargo que exerce.

Diz-se um defensor da “política de proximidade” por gostar “de estar junto das pessoas, de falar com elas, de ouvir as suas opiniões e as suas propostas.”

No seu lema de campanha promete “fazer crescer Santarém” e “fazer do nosso concelho um dos maiores do país,” admitindo ainda que “o encerramento temporário de várias ruas para a requalificação de edificado não passam de “dores de crescimento”.

Assegura que as contas da autarquia “já foram consolidadas” e “estão equilibradas”.

“Em virtude da gestão que temos vindo a fazer é, agora, possível realizar aquilo que prometemos há 4 anos atrás: baixar impostos municipais e ter verbas suficientes para aproveitar os fundos comunitários,” assegura Ricardo Goncalves nesta entrevista ao Correio do Ribatejo.

Os últimos oito anos mudaram a relação da Câmara Municipal com os seus munícipes. Para uns, para melhor, mas para outros, para pior. Que balanço faz dessas alterações e o que mudaria se vencesse as próximas eleições autárquicas?

Como é do conhecimento público, sempre defendi a política de proximidade.

Gosto de estar junto das pessoas, de falar com elas, de ouvir as suas opiniões e as suas propostas. Foi sempre isto que fiz enquanto vereador e enquanto Presidente da Câmara e é assim que quero continuar a trabalhar.

Quase todos os munícipes têm o meu número de telemóvel e sabem que podem ligar sempre que necessário. O mandato autárquico só faz sentido se trabalharmos com as pessoas e para as pessoas e, para isso, não podemos isolar-nos num gabinete.

Manter esta relação próxima com os Munícipes é, e será sempre, uma marca do meu mandato. Depois de vencermos a próximas eleições não vou mudar, assim como não mudei quando vencemos em 2013.

Quais os aspectos ideológicos que, em seu entender, diferenciam a sua candidatura das restantes que levem o eleitorado a dar-lhe a confiança do seu voto?

Todos sabem que a minha forma de fazer política é bastante diferente da dos outros candidatos. A política deve ser entendida como um exercício de um acto de cidadania e, nesse âmbito, deve ser assumida com nobreza e elevação. Sou, e sempre fui, um homem de consensos e de convergência.

Não defendo clivagens por interesses puramente políticos ou eleitoralistas. Gosto de trabalhar com pessoas com ideias e ideais diferentes dos meus, desde que o objectivo seja sério e importante para Santarém.

Mas quando estão em causa os interesses de Santarém, compro as brigas que tiver que comprar, como aconteceu quando, por várias vezes, fui contra o Governo do meu partido ou do PS, sempre na defesa dos interesses de Santarém.

Os munícipes de Santarém poderão sempre contar com o meu trabalho, na defesa dos valores da seriedade, da transparência, da humildade, e em prol de Santarém, com responsabilidade e com coragem, como sempre fiz.

Continuo a acreditar nas pessoas, nos valores do respeito, da dignidade, do trabalho e da honestidade. Acredito no nosso dever de continuar a construir uma sociedade mais pacífica, justa e solidária, e creio que temos sempre sucesso quando trabalhamos com objectivos partilhados.

Que eixos estruturantes pretende desenvolver no concelho?

No próximo mandato, apostamos em 5 eixos prioritários fundamentais, sobre os quais desenvolveremos a nossa estratégia de acção: o desenvolvimento económico e o emprego; a requalificação urbana e as acessibilidades; o espaço público; o turismo, a cultura e o lazer; a área social e a educação. Com o foco nestes 5 eixos, propomo-nos alcançar 5 objectivos principais, através dos quais criaremos condições para estruturar um crescimento sustentado e sustentável: fixar pessoas e empresas no concelho, apostando na competitividade, no empreendedorismo e na inovação, onde seja bom viver, trabalhar e investir; consolidar a reabilitação do centro histórico e reforçar as acessibilidades: manter o centro histórico “na moda”, melhorando as suas acessibilidades e criando um espaço público de qualidade; afirmar Santarém como um destino de Turismo, Cultura e Lazer, desenvolvendo o conceito de cidade atractiva, criativa e divertida, que potencia as tradições equestres, o Tejo, o seu património, os roteiros religiosos e a enogastronomia; consolidar Santarém como concelho inclusivo e com uma educação de excelência, um concelho que acarinha os mais velhos e aposta no crescimento saudável dos mais jovens e na educação de qualidade; reforçar as freguesias e o movimento associativo, apostando na descentralização de competências, promovendo a igualdade de oportunidades e a coesão territorial.

Vamos fazer crescer Santarém e fazer do nosso concelho um dos maiores do país.

Queremos um concelho com mais pessoas, mais empresas e mais turistas.

O PSD lidera a Câmara nos últimos 12 anos. Podiam esperar-se outros resultados, ou o peso da dívida continua a ser determinante e a hipotecar o futuro do Concelho?

As contas da Câmara de Santarém são públicas e os resultados falam por si. Em 2005, recebemos uma Câmara “tecnicamente falida”, completamente descredibilizada perante os seus fornecedores, perante a banca, juntas de freguesia, associações e outros parceiros, afogada em dívidas, muitas delas não contabilizadas e refém da gestão desorientada de 30 anos de poder socialista.

Hoje, orgulho-me de ter conseguido reverter esta situação. Recebemos uma herança pesada, mas a experiência mostrou-nos que, quando somos determinados, conseguimos concretizar os objectivos mais difíceis. Trabalhámos muito no caminho da credibilização, da transparência, da competência e da consolidação.

Os números falam por si: as taxas de execução de 2016 foram as mais elevadas de sempre, demonstrando maior rigor na gestão; o activo líquido do Município de Santarém em 2005 era de 84M€. Hoje, temos um activo líquido de 253 M€; desde que assumi as funções de Presidente da Câmara, reduzimos a dívida do Município em 41M€. Melhorámos ao nível do endividamento da autarquia, na medida em que diminuímos o recurso a financiamentos.

Renegociámos a nossa dívida com a banca, que nos permitiu poupar 5,1M€ em juros, verba que, nos próximos anos, será transformada em investimento real no concelho.

Hoje, os fornecedores recebem a 18 dias, quando, em 2005, recebiam a 377 dias e as juntas de freguesia, associações e parceiros recebem a tempo e horas.

Este é um caminho de que muito nos orgulhamos e que queremos continuar a trilhar no próximo mandato. Esperamos sinceramente que os scalabitanos tenham entendido as nossas opções estratégicas.

Quais as medidas que propõe para equilibrar as contas da Câmara no médio e longo prazo? Dada a actual conjuntura haverá margem para investimentos nos próximos anos? Como pensa proceder?

As contas da Câmara já foram consolidadas por nós e estão equilibradas, como todos sabem. Mesmo que alguns, por questões puramente eleitoralistas, queiram negar. Bastará consultar os relatórios da DGAL e da IGF e dos nossos revisores, entidades que actualmente fiscalizam cuidadosamente
as nossas contas.

A minha actuação futura será sempre pautada pelos mesmos princípios que nortearam a nossa gestão até aqui. Há que manter orçamentos reais e prever projectos exequíveis nas Grandes Opções do Plano, como sempre fizemos.

Gerir no sentido da consolidação e da sustentabilidade das contas, para que possamos estruturar um futuro que sirva de base ao crescimento, à fixação de população e à atracção de novos investimentos, tudo com vista a melhorar a qualidade de vida dos nossos munícipes.

Em virtude da gestão que temos vindo a fazer é, agora, possível realizar aquilo que prometemos há 4 anos atrás: baixar impostos municipais e ter verbas suficientes para aproveitar os fundos comunitários. É de referir que temos, actualmente, mais de 18M€ de fundos comunitários disponíveis para a execução de vários projectos, como, por exemplo, a requalificação do Mercado, a requalificação da maioria das praças do centro histórico, a construção do MAVU (Museu de Abril e dos Valores Universais), o Observatório da Gastronomia, a construção do Centro de Inovação Empresarial de Alcanede, a construção do Pólo Equestre na Ex-EPC, a requalificação da Av. António dos Santos e da Av. Afonso Henriques, e muitos outros projectos, todos eles estruturantes para o concelho. Esperamos poder concretizá-los dentro do previsto.

Um dos cenários que mudou nos últimos anos foi a privatização de serviços autárquicos que agora são prestados por empresas municipais. Defende a continuação da empresa Águas Santarém ou a passagem para a Águas do Ribatejo? E sobre a Empresa Viver Santarém, concorda com a diversidade de actividades que a compõem?

A criação das empresas municipais Águas de Santarém e Viver Santarém, derivaram de opções de gestão que, à data da sua criação, nos pareceram as mais adequadas na conjuntura que se vivia. Continuamos a acreditar na sustentabilidade de ambas e na importância e necessidade dos serviços que prestam. Este facto não invalida, no entanto, que deixemos de equacionar novas formas de gestão, que serão sempre analisadas, caso se entenda que são as melhores opções para o Município e para as empresas. A este propósito, devo referir que fizémos uma proposta ao executivo municipal para realização de um estudo pela CIMLT sobre a viabilidade da integração da empresa Águas de Santarém, na empresa Águas do Ribatejo, proposta esta que foi inviabilizada pela oposição.

A reforma que levou à criação das uniões de freguesias no Concelho continua a ser um processo criticado por muitos. Qual o modelo de funcionamento das novas freguesias que preconiza, sabendo que no caso da União de Freguesias da Cidade esta representa quase metade do eleitorado?

Considerando o tempo já decorrido, desde a alteração legislativa que promoveu a reorganização administrativa das freguesias e a experiência que fomos adquirindo desde então, não me parece que venha a existir, no futuro, um retrocesso relativamente ao modelo adoptado. Estou, por isso, muito expectante relativamente às alterações legislativas no âmbito das atribuições e competências das autarquias locais. Espero que essas alterações tragam melhorias reais no que respeita à eficiência dos serviços, bem como na promoção da oferta de um serviço público de qualidade aos nossos munícipes.

Mas, para isso, o Governo não pode esquecer-se de prever, a par da delegação de mais competências, o envelope financeiro respectivo, para que as autarquias não fiquem, mais uma vez, com responsabilidades que são atribuições da administração central, sem a respectiva contrapartida financeira, como aconteceu com a delegação de competências na área da educação, cujo valor das transferências financeiras não é suficiente para cobrir todas as despesas que as autarquias se vêem obrigadas a assumir, para assegurar a regularidade do funcionamento dos anos lectivos. Não nos podemos esquecer que, em Portugal, as autarquias locais recebem 14% da receita do Estado e realizam 46% do investimento desse mesmo Estado.

Da história conhecida sobre a mudança da linha do Norte da Ribeira de Santarém houve um projecto bem encaminhado para conseguir esse objectivo e criar uma plataforma logística regional que acabou por não vingar. Passados tantos anos pensa que seria importante recuperar este projecto? Que tarefas devem ser levadas a cabo para que a ligação da cidade à zona ribeirinha se torne mais efectiva?

Lamentavelmente, esse projecto não foi concretizado. Em 2009, tivemos um Ministro do PS (Mário Lino) a enganar os escalabitanos, afirmando que essa obra estaria concluída até 2012.

A alteração do traçado da linha do Norte seria um factor importantíssimo para a recuperação da frente ribeirinha, quer ao nível do património histórico e arquitectónico, que está em sério risco em face da circulação ferroviária, quer ao nível da atractividade dos investimentos e fixação de população.

A Ribeira de Santarém tem condições fantásticas de se tornar um território turístico de excepção e são exactamente essas condições que queremos explorar e desenvolver. Porém, hoje, a construção da variante da linha do Norte é também uma necessidade por questões de segurança.

Por exemplo, ainda recentemente numa reunião com a Infraestruturas de Portugal (IP), questionei sobre as consequências de um descarrilamento entre Valada e a Ribeira de Santarém, tendo-me sido respondido que as consequências seriam drásticas, em virtude da falta de meios logísticos suficientes para garantir circulação alternativa na linha do Norte.

É sobre isto que tenho vindo a alertar os sucessivos Governos, Primeiros-Ministros e Ministros. Espero sinceramente que estes esforços possam vir a materializar-se numa solução que garanta a segurança de pessoas e bens, dos milhares de utilizadores diários desta via de comunicação.

Que comentário lhe merece a prolongada interdição ao trânsito da Estrada Nacional 114, entre o planalto e a ponte D. Luís?

Como todos sabem a interdição da EN114 derivou de uma decisão da IP, entidade que gere esta estrada, baseada na falta de condições de segurança para a circulação, após a derrocada de Agosto de 2014, tal como atestado pelo Laboratório Nacional de Engenharia Civil (LNEC).

Na sequência de um esforço conjunto e de um trabalho intenso, entre o Município de Santarém, o Governo, o LNEC e a IP, foi possível criar condições para que o Plano Global de Estabilização das Encostas de Santarém (PGEES) fosse uma realidade. A empreitada está em curso, com um valor previsto de investimento na ordem dos 5M€ e com previsão de conclusão durante o ano 2019. Lamentamos que pessoas com responsabilidades e que, por isso mesmo, deviam estar mais familiarizados com os procedimentos de contratação pública, venham, agora, criticar a demora da execução deste projecto.

Como todos sabem, a contratação desta empreitada foi feita por concurso público, sujeito a fiscalização prévia do Tribunal de Contas e, por isso mesmo, sujeita a um procedimento administrativo demorado.

Desenvolvemos todos os procedimentos, cumprindo escrupulosamente todas as normas legalmente previstas, facto que há uns anos atrás, essas mesmas pessoas tinham mais ligeireza a cumprir.

Esta é uma conquista de que muito nos orgulhamos, pois fomos o único executivo que, decorridos tantos anos, conseguiu concretizar esta obra tão importante para Santarém. Este facto só vem confirmar que tudo é possível com esforço, trabalho, e colaboração entre as várias instituições envolvidas, não esquecendo o trabalho incansável dos serviços municipais, a quem muito ficamos a dever na concretização deste projecto tão importante. Santarém saiu a ganhar e nós ficamos com o sentimento do dever cumprido.

Há muitas queixas pela falta de um ‘lobby’ concelhio que defenda uma estratégia para os interesses regionais junto das instâncias do governo nacional. Veria com bons olhos uma convergência de interesses, suprapartidária, para o concelho e para a região? Como?

Actualmente, todos temos fácil acesso aos gabinetes dos membros do Governo, mas, por vezes, há assuntos em torno dos quais todos temos de nos unir. Dou, como exemplo, o PGEES, o desvio da linha do norte, a despoluição do rio Tejo, a possível criação de uma nova NUT II, a criação de uma nova CCDR do Ribatejo e Oeste com sede em Santarém e a alteração do traçado da EN 362. Estas são matérias que carecem de uma convergência política, pois, tudo o que delas resulte, afectará inquestionavelmente o futuro do concelho, independentemente do partido que o esteja a governar.

Nestas matérias, nunca conseguirei aceitar que possa haver grandes divergências, pois, qualquer delas é demasiado importante para o concelho e mesmo para o país.

Ultimamente veio a público a falta de condições no concelho, de que Santarém é capital de Distrito, para a instalação de novas empresas, que assim se deslocaram para concelhos vizinhos. Quais as propostas da sua candidatura para evitar estas situações e que propostas para implementar o desenvolvimento económico e o emprego na área do concelho?

Essa informação é completamente desprovida de fundamento e os dados falam por si.

Na passada semana, a Nersant divulgou dados incontestáveis no que respeita à instalação de novas empresas no concelho: Santarém criou no 1.º semestre de 2017, 99 sociedades, mantendo-se líder regional em relação à criação de empresas. Mais, segundo dados do IEFP, no concelho de Santarém, desde 2013, foram criados, em média, 643 novos postos de trabalho por ano. Disto resulta que a taxa de desemprego no concelho esteja abaixo da média nacional, como todos sabem, mas que, nesta altura de eleições autárquicas, muitos querem esconder.

Estes dados resultam da política que temos levado a cabo, de apoio ao empreendedorismo e à criação de atractividade para novos investimentos. Veja-se, a título de exemplo, a parceria com o NERSANT na criação do Centro de Inovação Empresarial de Santarém (só neste caso são criadas mais de 6 empresas por mês), encontrando-se já, em fase de desenvolvimento, a criação de um Centro de Inovação Empresarial em Alcanede, assim como a criação de vários programas de apoio ao investimento, como o Via Expresso Jovem, o Via expresso Investidor e o recém criado Regulamento Municipal de Concessão de Incentivos ao Investimento, os quais vêm criar condições para que novos investidores possam escolher Santarém para investir, trabalhar e viver.

Com tudo isto, foi possível criar um clima positivo, mais confiável, atractivo ao investimento e ao empreendedorismo e criámos as bases de um crescimento sólido e sustentado. Todas as semanas, o nosso Gabinete de Apoio ao Investidor recebe inúmeros contactos de empresas, assim como de particulares interessados em investir em Santarém. Mantemos também um permanente contacto com o AICEP [Agenda para o Investimento e Comércio Externo de Portugal], para aferir da possível instalação de empresas estrangeiras.

Hoje, Santarém é diferente! Um concelho mais vivo, economicamente mais dinâmico, culturalmente diferenciador, um concelho que sabe acolher novas empresas e cuidar das que cá estão instaladas, que sabe ser solidário, que constrói o futuro, reafirmando as suas tradições.

Não nos podemos esquecer que temos, também que dinamizar as ZDE [Zona de Desenvolvimento Económico] de Alcanede e Pernes, bem como a Área de Localização Empresarial, situada em Almoster (Parquiscálabis).

O Centro de Excelência para a Agricultura e Agroindústria no pólo da Fonte Boa, no Vale de Santarém, vai ser uma realidade, pois a Agência Nacional para a Inovação já emitiu parecer favorável para a sua inclusão nos mapeamentos dos fundos comunitários para projectos inovadores.

É um projecto do qual somos percursores e irá alavancar o concelho e a região em vários eixos, dos quais destaco os recursos genéticos animais, a tecnologia de ponta na qualidade e segurança alimentar, a valorização de efluentes, subprodutos e resíduos agroindustriais.

Que equipamentos entende serem necessários para o desenvolvimento mais equilibrado das freguesias do concelho, quais são os mais urgentes e onde os implantar?

É público e conhecido que sempre atribuí grande valor às freguesias e ao trabalho que desempenham junto das populações, pois são aqueles que mais próximo delas estão e que melhor, e de forma mais célere, podem resolver os seus problemas.

Não podia ser diferente! Fui Presidente de Junta e tenho um enorme respeito pelas Juntas de Freguesia. Sou o único Presidente de Câmara que sempre manteve o pagamento atempado dos duodécimos.

Sofri na pele, enquanto Presidente de Junta, entre 2001-2005, o sectarismo e as dificuldades de gerir uma Junta com mais de 6 meses de atraso no pagamento dos duodécimos. Não aceito, pois, que alguns queiram escrever uma nova história.

Considero que a execução das políticas autárquicas, só faz sentido em colaboração de esforços com as freguesias, como parceiros directos do Município no desenvolvimento das suas atribuições.

Desta forma, tudo o que possamos afirmar neste âmbito, passará sempre por uma decisão partilhada com as freguesias, pois são elas as primeiras a reconhecer as necessidades do território que administram.

Os projectos a que me refiro são consensuais entre Câmara e Freguesias, a título de exemplo, os pavilhões desportivos em Alcanede e Pernes ou o Centro de Inovação Empresarial de Alcanede, cujos projectos já existem, encontrando-se este último, em fase já avançada. Depois, consideramos fundamental continuar a trabalhar no sentido de dotar as freguesias de serviços públicos de qualidade, como é o caso das extensões de saúde ou dos espaços do cidadão; de espaços de jogo e recreio e zonas verdes, que melhorem a qualidade de vida das populações.

A recolha de resíduos sólidos tem variado entre a prestação do serviço pela autarquia ou por empresas privadas. Qual a sua proposta para este campo, que evite, nomeadamente, que os caixotes de lixo estejam por despejar durante muitos dias?

Hoje, não é verdade que os caixotes do lixo estejam muitos dias por despejar. Não é segredo para ninguém que o Município vem, desde há vários anos, a deparar-se com um problema estrutural que afecta toda a área operacional. As limitações legais impedem ou limitam os Municípios de iniciar procedimentos para contratação de pessoal e a verdade é que, no caso de Santarém, temos uma área operacional com sérias deficiências ao nível dos recursos humanos. A título de exemplo, a faixa etária compreendida entre os 55 e os 59 anos é a que contém maior número de efectivos (153), sendo que a sua maioria pertence ao grupo profissional dos assistentes operacionais (66,67%). Nos últimos 5 anos, assistimos a uma diminuição em cerca de 9% dos trabalhadores municipais (menos 72), diminuição que não foi possível compensar através da contratação de novos funcionários, pelos motivos referidos. Mas vale a pena desmistificar a ideia que alguns querem passar de que o Município de Santarém tem funcionários a mais.

Em 31 de Dezembro de 2016, o Município de Santarém totalizava 733 trabalhadores, incluindo 229 trabalhadores transferidos, em 2009, para a autarquia ao abrigo do protocolo de transferência de competências em matéria de educação.

Ora, retirando o pessoal afecto exclusivamente às escolas, o Município de Santarém conta com 504 funcionários para o desenvolvimento das suas atribuições próprias.

Este número é manifestamente insuficiente e a verdade é que temo-nos deparado com grandes dificuldades em assegurar todas as funções operacionais que estão ao nosso encargo.

Não fora a dedicação e a entrega dos nossos funcionários, decerto, esta tarefa seria bem mais difícil, senão impossível.

Por essa razão, passámos a contratar alguns serviços operacionais a empresas, como foi o caso da recolha de RSU em algumas freguesias do concelho, de forma a agilizar os serviços, sempre na busca da melhoria do serviço público. Continuo a acreditar na capacidade dos serviços municipais para executar as suas atribuições de forma competente e eficaz, mas reconheço que, sem os recursos humanos necessários, essa tarefa torna-se bastante difícil de alcançar.

No que respeita à recolha de RSU, a nossa intenção é manter a recolha na cidade de Santarém e na freguesia do Vale de Santarém, contratando externamente o serviço nas restantes freguesias. No entanto, está também a ser desenvolvido um estudo, através da CIMLT, para avaliar a viabilidade da criação de uma empresa intermunicipal para a recolha de resíduos sólidos urbanos.

Caso se verifique que é mais eficiente e rentável a adesão a este modelo de gestão, avançaremos para essa solução.

Com a diversidade de ocupações e a intenção de novos projectos conhecidos para implantar na ex-Escola Prática de Cavalaria, deverá ser feito um plano de pormenor para aquele espaço?

Neste momento, consideramos mais importante a elaboração de um plano estratégico para a EPC, que incluirá todos os projectos delineados para o espaço, uns já em execução e outros a desenvolver, que passarão pela aposta na vertente desportiva, como é o caso da requalificação do pavilhão desportivo, da manutenção de instalações desportivas já existentes, como o campo de rugby e da instalação de novas estruturas, como o pólo equestre, da criação de um circuito de manutenção para a prática de desporto informal e da construção de um campo de futebol de 7; na vertente dos serviços, que passará pelo alargamento da cidade judiciária, com instalação de novos tribunais, pela manutenção da parceria com o NERSANT, para a Startup de Santarém, ou na instalação do novo quartel dos Bombeiros Municipais de Santarém; não esquecendo a vertente turística, tão importante no projecto que nos propomos desenvolver, como por exemplo a criação do Observatório da Gastronomia e a instalação do Museu de Abril e dos Valores Universais.

Que futuro preconiza para o antigo campo da feira? A Câmara deve apoiar uma urbanização desportiva, como a que propõe a actual direcção da União Desportiva de Santarém, ou destinar o espaço para outros equipamentos públicos, jardim, ou hotel por exemplo?

O espaço do Campo Infante da Câmara é um espaço nobre da cidade, quer pela sua localização, mas também pela importância histórica que tem na memória dos escalabitanos.

Por essa razão, considero que aquele espaço terá que ser sempre um espaço de lazer para usufruto de toda a população do concelho e não apenas restrito a qualquer instituição ou área de actividade.

Sempre defendi que deverá ser integrada nesse espaço de lazer, uma instalação desportiva, que promova a prática de actividade física e os hábitos de vida saudável da população, não esquecendo que é necessário garantir os lugares de estacionamento.

Considero importante também a criação de uma solução partilhada para a dinamização da Praça de Touros Celestino Graça, aliás, à semelhança do que já acontece noutras cidades da Europa, pelo que nos manteremos disponíveis para trabalhar com a Santa Casa da Misericória de Santarém, proprietária do espaço, na busca dessa solução.

Há um grande incremento de novas associações a necessitar de espaço. Elas estarão na ex-EPC e foi anunciado o antigo centro comercial ‘Escala 4’, no Centro Histórico. Que tipo de apoio deve ser garantido pela Câmara neste domínio?

Desde sempre que considero de extrema importância o papel do movimento associativo concelhio, como expressão da liberdade e como um bom exemplo de exercício da democracia e da cidadania.

Temos no nosso concelho associações que desenvolvem diariamente trabalhos excepcionais. Felizmente, temos assistido no concelho de Santarém ao crescimento do número de associações que se predispõem a trabalhar com as populações e para as populações, em estrita colaboração com o Município, no sentido de fazer convergir interesses e defender pontos de vista partilhados por todos os actores da sociedade. Por isso, é nosso dever apoiar estas estruturas, que são, elas próprias, escolas de vida colectiva, de cooperação e de solidariedade.

Assim sendo, nada melhor para o revitalizar do que agilizar a instalação destes pólos activos de humanismo e cidadania nesse mesmo território. Por essa razão, mantemos todo o interesse na disponibilização dos espaços do ‘Escala 4’ para a instalação de associações, contando com a sua colaboração na dinamização de um espaço que tantas memórias traz à cidade.

Quais as linhas de acção que entende necessárias para que hajam mais pessoas a residir no Centro Histórico de Santarém e mais negócios duradoiros?

O problema dos centros históricos é um problema nacional. Como já referimos, uma das nossas prioridades estratégicas para o próximo mandato é a consolidação da reabilitação do centro histórico. Muito já foi feito neste mandato, embora, muitas vezes de forma silenciosa e, nem sempre, reconhecida.

O centro histórico de Santarém voltou a estar “na moda” e vai continuar a estar “na moda”. No entanto, estou certo de que o trabalho que já desenvolvemos vai ser de importância primordial na recuperação de um espaço tão importante para Santarém e que as dores que agora sentimos, como por exemplo o encerramento temporário de várias ruas para a requalificação de edificado, não passam de “dores de crescimento”, sem as quais não será possível alcançar os objectivos a que nos propusemos. Este é um caminho paulatino, discreto, mas um caminho sem volta. Tenho a certeza que, daqui a 3 anos, todos reconhecerão que os pequenos passos que fomos dando, se transformaram em factores galvanizadores de um espaço que tem condições excelentes para ser o espaço nobre de Santarém.

Gostaria, por isso, de referir apenas alguns exemplos dos resultados do trabalho que temos vindo a desenvolver e que já se fazem sentir na dinamização de um espaço que durante tantos anos se manteve amorfo e sem vida, resultados esses que serão bem mais patentes a muito breve prazo: criação do Gabinete do Centro Histórico; criação do projecto “IN Santarém”, um programa desenvolvido em parceria com as associações e instituições do concelho, tão importante da dinamização cultural; aprovação das ARU’s [Áreas de Rebilitação Urbana] do Planalto de Santarém e da Ribeira e Alfange; criação da Incubadora de artes; criação da Rota das Catedrais (requalificação da Sé, do Convento de Santa Clara e Museu Diocesano); requalificação do Palácio Landal; requalificação do Palácio João Afonso; instalação de campo relvado sintético na Ribeira de Santarém; aprovação de incentivos à instalação de esplanadas.

Temos já projectos em fase bastante avançada, cujo desenvolvimento está previsto para o próximo mandato, como por exemplo: requalificação do Mercado; requalificação da Avª António dos Santos; obras de beneficiação da Praça Marquês Sá da Bandeira; requalificação urbanística e paisagística da Praça Visconde Serra do Pilar; requalificação do Largo Ramiro Nobre/Rua Dr. Mendes Pedroso; requalificação e beneficiação do Largo dos Pasteleiros; requalificação da Rua Serpa Pinto; requalificação e beneficação do Largo das Alcáçovas.

Os dados falam por si, nos últimos anos, têm aumentado os pedidos de licenciamento para obras de requalificação de imóveis no centro histórico, a par do aumento da procura para instalação de empresas.

Conseguimos também, através de uma estreita parceria com a Entidade Regional de Turismo e com os agentes turísticos, atrair novos turistas para Santarém, fazendo com que a nossa cidade passasse a constituir um destino atractivo não só ao nível religioso, mas também cultural, histórico e gastronómico.

Em termos turísticos Santarém passou a estar sob a alçada da Entidade de Turismo do Alentejo. Sendo esta condição uma certeza, que medidas propõe para o desenvolvimento turístico do concelho, incluindo no sector da gastronomia, e quais as propostas para investir no mercado religioso, nomeadamente na divulgação externa do Santuário do Milagre?

Esta parceria com a Entidade Regional de Turismo tem constituído para nós um grande apoio no desenvolvimento da estratégia turística para Santarém. Aliás, não faria sentido se assim não fosse.

A par desta parceria, temos vindo a desenvolver muito trabalho
de diagnóstico e preparação de um plano estratégico de valorização turística que está já em fase final, e do qual consta um plano de acção, preparado para ser implementado no quadriénio 2017-2021, que assenta em 10 eixos principais: Santarém património histórico, cultural e religioso; património enogastronómico; eventos e programação cultural; lazer, desporto e natureza; Rio Tejo; Serras de Aire e Candeeiros; turismo rural; estrutura de governança: modelo de gestão e desenvolvimento da rede de parcerias e sistemas de informação; formação, desenvolvimento e qualificação de activos e a requalificação urbana e valorização turística de infraestruturas e equipamentos de apoio.

Estamos certos que estamos no bom caminho do desenvolvimento e do crescimento turísticos sustentados e que, em breve, darão muitos frutos para bem do concelho de Santarém. A prova disso mesmo é que o número de alojamentos turísticos aumentou mais do dobro desde 2014 (de 15 para 37 alojamentos). O primeiro eixo da nossa estratégia turística é exactamente a aposta no turismo religioso e o segundo o património enogastronómico, pelo que serão duas das nossas grandes apostas.

Hoje, em Santarém, já temos vários chefs reconhecidos nacional e internacionalmente.

Queremos que sejam cada vez mais e que Santarém seja reconhecida, para além de ser a cidade organizadora do Festival Nacional de Gastronomia, como tendo restaurantes de excelência e que este seja mais um motivo de atracção turística. Estamos certos que o futuro MAVU e o Observatório da Gastronomia irão trazer, também, muitos visitantes a Santarém.

PERFIL

Ricardo Gonçalves, 42 anos, natural da freguesia de Azoia de Baixo é o candidato do Partido Social Democrata (PSD).
Licenciou-se em Economia, tendo realizado uma Pós-Graduação em Direito das Autarquias Locais, no Instituto de Ciências Jurídico-Políticas na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa. Iniciou o seu percurso profissional na área financeira em 1999.
Foi Presidente da Junta de Freguesia de Azoia de Baixo e membro da Assembleia Municipal de Santarém entre 2002 e 2005, tendo sido eleito Vereador da Câmara Municipal de Santarém em 2006.
Em 2012 assumiu as funções de Presidente da Câmara Municipal de Santarém, cargo que exerce até à presente data.
Assume-se como “um homem determinado, mas de consensos e de convergência”. Defendendo sempre os valores da “liberdade e da igualdade, do rigor, da competência e da seriedade”, prefere o trabalho colaborativo, por um objectivo comum.
Acredita na “força e determinação” do povo escalabitano, que sabe que, “quando se une por uma causa, não há objectivo ou futuro que não possa ser cumprido”.