De 8 a 10 de Setembro, a Vila Medieval de Ourém recebeu o Festival de Setembro. O multiculturalismo instalou-se neste cenário histórico com uma programação contemporânea, diversificada e de qualidade, que ligou Ourém ao Oriente.

Concertos, danças, teatro e outras performances, cinema, literatura, artesanato e gastronomia asiática aconteceram dentro de muralhas, a um ritmo contínuo durante os três dias desta festa de cores quentes e vibrantes, de sabores intensos e de aromas e cheiros de viagem. Do Mercado Municipal e de Santo Amaro partiam transferes num ritmo de vai e vem rumo ao morro festivo e iluminado.

Com o programa em mãos, os visitantes (re)descobriam espaços históricos metamorfoseados com novas cenografias (como o Largo da Colegiada transformado em Praça Sol Nascente, o Largo do Pelourinho em Jardim do Hibisco, ou o Terreiro de São Tiago em Praça do Oriente); escolhiam as ofertas que mais lhes agradavam, fossem exposições, conferências, concertos, artesanato, pinturas, danças ou paladares do Oriente, com uma oferta gastronómica diversa e de qualidade elevada.

A festa teve início pelas 18h00 de sexta-feira, com a abertura dos espaços de gastronomia e de artesanato, e com as boas vindas do Presidente da Câmara por ocasião da inauguração da exposição “Arte têxtil contemporânea” de Graça Costa na Galeria da Vila Medieval. Dali o programa seguiu para a Ucharia do Conde, que acolheu a exposição de fotografia “Timor aos meus olhos”, de Fernanda Fonseca e Castro.

Pelas 19h00 teve início a conferência sobre “O papel da mulher na cultura e sociedade timorense”, por Fátima Guterres e Luís Guterres, com a chancela e representação institucional da Embaixada de Timor. Pouco depois, o Largo da Escola Primária, baptizado como Praça do Dragão tornava-se palco de uma performance cheia de beleza e elegância, proporcionada pela Embaixada da Indonésia.

Pelas 20h00, o acolhedor Jardim de Santa Teresa, rebatizado de Jardim Bollywood transformou-se em anfiteatro de cinema para receber o primeiro dos vários filmes de bollywood exibidos durante o festival com o patrocínio da Embaixada da Índia. Um pouco depois, enquanto os restaurantes e as montras de degustação serviam quem parava e escolhia, o Jardim do Hibisco recebia o concerto da Sociedade Filarmónica Ouriense e no adro da Colegiada começava o baile ao Sol Nascente, que levava os dançantes ao Oriente pelos passos de Dulce Maurício. Entretanto, a animação timorense subiu ao castelo com voz e guitarra de Piki Pereira e as danças de outros timorenses residentes em Portugal.

Pelas 22h00, Camané, voz maior do fado entrava em palco e encheu os corações dos presentes, que resistiram ao vento e ao frio para assistirem a este momento de rara sensibilidade musical e de magia no castelo de Ourém. A noite terminou com a música escolhida por STASERA, ou Afonso Simões.

Sábado, dia 9, o programa abriu com a música indiana de Ensemble Namasté, que se replicou em vários locais do burgo. Pelas 15h00, a Galeria da Vila Medieval transformou-se em sala de conferências dedicadas a Francisco Vieira de Figueiredo e à cultura do Oriente, com as brilhantes comunicações de António Rodrigues Baptista, Sérgio Ribeiro, Inês Lourenço e Raquel Ochoa.

Para os mais novos, o Museu do Oriente animou o Jardim Bollywood com a actividade “Do casulo à seda”. Pela Oficina do Castelo passaram as taças Tibetanas e a reflexologia dinamizadas pelo Om Shanti, e Dindin Badindin – danças para crianças – proporcionadas pela Embaixada da Indonésia. Ali ao lado, a Praça do Dragão recebeu pela tarde fora e noite dentro performances da Indonésia, de beleza ímpar, lançamentos de papagaios de papel, exercícios de relaxamento e boa comida.

Às 17h00, na Praça do Sol Nascente dançava-se “Um cheiro a manjerico e canela”, pela Arabesque, com uma sensibilidade tal que só podia resultar de uma preparação rigorosa e dedicada.

Nas horas seguintes, a animação prosseguia com boa gastronomia, cinema, livros, música e dança nos vários pontos de encontro. A Ourearte trouxe Klarinet dan Guitar à rua e deu o mote para os concertos de Memória de Peixe e Capitão Fausto que encheram o castelo de juventude.

Domingo, dia 10, a par das Curtas e de cinema de Bollywood, o Jardim do Hibisco vibrou com Sons ao Nascente, pela Filarmónica 1.º Dezembro Vilarense Reis Prazeres. Logo depois, a Junta de Freguesia de N.ª Sr.ª das Misericórdias lançava a monografia “Freguesia de Nossa Senhora das Misericórdias de Ourém: História e Património” da autoria de Saul António Gomes. Pelas ruas, o grupo de teatro Apollo espalhava ecos das notícias do tempo de Francisco Vieira de Figueiredo. Entretanto, a Oficina do Castelo e Praça do Dragão eram dinamizadas com brincadeiras, workshops de dança, performances e exercícios de relaxamento.

Pelas 16h00, o adro da Colegiada ganhou vida com bailarinos patrocinados pela Embaixada da Índia, que envolveram os presentes nas suas alegres danças de bollywood. Na Ucharia do Conde, a gastronomia de Macau entrou nas Bocas do Mundo pela voz de Gonçalo Loureiro.

De novo no Terreiro de São Tiago, ou Praça do Oriente, o Embaixador da Indonésia manifestou o agrado na parceria com o Festival de Setembro. A festa culminou com as danças indonésias Saman a pisarem o palco principal e a passarem o testemunho a Ana Laíns, fadista de portugalidade com raízes e coração oureense.

Mesmo com frio e vento, o programa percorreu monumentos, casas e ruas, e envolveu os participantes (oureenses e visitantes) em experiências de encontro entre a história e a actualidade, entre territórios, entre culturas e entre pessoas. Isto é a expressão de um Centro Histórico como espaço vivido e da presença do multiculturalismo na vida dos cidadãos.