O Carnaval de 1907 comemorou-se entre 9 e 12 de Fevereiro com animadas festas nas colectividades e desfiles pelas ruas da cidade. Esses festejos foram relatados pormenorizadamente na edição de 16 de Fevereiro do Correio da Extremadura.

O desfile de Carnaval ou “cavalgada” iniciou-se na segunda-feira, dia 11, à tarde, sendo rico em lama e pobre em máscaras. Atrás da Banda dos Bombeiros desfilaram grupos de crianças mascaras seguidas de amazonas e cavaleiros. Na tarde do dia de Carnaval decorreu uma batalha de flores entre o largo da Piedade e a calçada do Monte. Os foliões desfilavam em bicicletas, veículos e cavalos enquanto a Banda dos Bombeiros tocava num pequeno coreto perante muitos espectadores que assistiam nas filas de cadeiras junto ao gradeamento do passeio.

Entre os veículos encontravam-se os automóveis de Álvaro Peixoto, Frederico de Bettencourt, Sabino Caldas e de Júlio Cordeiro, este último disfarçado de cisne branco; as caleches de Georgina Costa, Ernesto Botelho e de Joaquim Martins Pereira completamente cobertas por flores; várias charretes e breack’s ornamentadas com colchas, máscaras e flores. José Mota, José Silveira, Isidro Caldas, Guilherme Amorim, João Trigoso, Joaquim Figueiredo, Adrião Malfeito, Aniceto da Costa, Júlio de Sousa foram alguns dos que desfilaram a cavalo. Os ciclistas eram António Soares, António Mendes Cabral, Augusto da Silva, Alexandre Caldas, Fernando Carvalho e João Fonseca. Quando a batalha de flores terminou os participantes percorreram as principais artérias da cidade.

Os bairros de Santa Clara, Monte e S. Lázaro também comemoraram o Entrudo sem evitar os desacatos habituais de fim de festa bem bebida.

No Club de Santarém, os bailes decorreram nos serões de sábado e de segunda- feira gorda onde se evidenciaram os pares Rufina de Figueiredo / José Mota e Sara Ferreira / Guilherme Amorim ao dançarem o “cottilon”. A tarde de domingo reuniu-se crianças mascaradas que assim jogaram ao Carnaval e assistiram ao “vira” dançado pelas filhas de Ernesto Botelho e José Calazans. A noite de terça-feira de Carnaval terminou com um baile abrilhantado por um sexteto vindo de Lisboa. A sala foi ornamentada por Melo Sampaio, Manuel Montez e Alfredo de Sousa enquanto o serviço de ceia volante, chá, sorvetes e doces ficou a cargo da Confeitaria Viúva Monteiro & Genro.

No Club Literário Guilherme de Azevedo, os sócios Júlio Ferreira Alves, José Coelho, António Rosa Cabral e Hermínio Alves promoveram bailes no domingo e segunda-feira. No dia de Carnaval decorreu um sarau infantil com teatro, poesia e canções a cargo do Grupo Dramático Infantil, acompanhado ao piano pela menina Maria Luísa Machado.

A Associação dos Bombeiros Voluntários alugou o teatro Rosa Damasceno ao Club de Santarém, onde organizou animados bailes de máscaras.

O Teatro Club Ribeirense, sede da Banda da Ribeira, também promoveu bailes de Carnaval, ficando a animação a cargo da pianista Emília Leitão Xavier.

Santarém mostrou “o seu revigoramento para as lutas do prazer e da folia e bem hajam todos aqueles que, de peitos moços, contribuem de boa vontade para que de todo se não apague esta festa anual, ainda aquela que abre um parenteses de boa alegria que tão preciosa é a todos nós que mourejamos neste agreste calvário da vida. À folia pois e toca a gozar!” (CE,9/2/1907, p. 3).

teresa - 27-02-17

Teresa Lopes Moreira