O Secretário de estado adjunto da saúde, Fernando Araújo, esteve no passado dia 03 de Abril em Almeirim, onde presidiu à cerimónia de entrega da mais sofisticada unidade móvel de radiorrastreio do país, ao Agrupamento de Centros de Saúde da Lezíria (ACES Lezíria).

Fernando Araújo explicou que o equipamento, adquirido com fundos europeus, no valor de 685 mil euros, permite uma maior e mais rápida diagnosticação, o que permite antecipar o início da terapia e monitorização, bem como reduzir o risco da doença e sua transmissão.

Segundo explicou, “este equipamento traz rapidez nos exames que faz e traz até segurança, porque o nível de radiação que emite, quer para os utentes, quer para os técnicos, é mais baixo”. O governante avança que “é portanto um investimento sério neste rastreio de doenças pulmonares, nomeadamente a tuberculose, que temos visto, ano após ano, a reduzir no país, mas que temos de continuar a persistir, especialmente em certas bolsas de população mais vulnerável como por exemplo estabelecimentos prisionais, população migrante, sem abrigos, ou seja, população que temos de ir ao encontro dela pois ela não recorre ao Serviço Nacional de Saúde (SNS) e temos de continuar a insistir na detecção precoce dos casos, no evitar que haja transmissão a outras pessoas, no tratamento e conseguir até 2030 terminar com esta epidemia”, considera.

Para estes objectivos, o secretário de estado acredita que “esta carrinha fará toda a diferença”, graças à tecnologia que tem e aos profissionais que a operam, é possível fazer, segundo defende, “ainda melhor do que o que temos feito até agora”.

A cerimónia de entrega desta unidade móvel e de outras viaturas de apoio à intervenção da ACES Lezíria, decorreu no Centro de Saúde de Almeirim, onde também marcou presença o presidente da Câmara Municipal, Pedro Ribeiro, que salientou as vantagens destes novos equipamentos, que para o autarca “são equipamentos de topo, nomeadamente a unidade de rastreio”. Pedro Ribeiro salientou que “a resposta passa a ser muito mais rápida e eficaz, a qualidade do trabalho será claramente melhor e vai permitir diagnósticos mais precoces, além de permitir uma mobilidade de se ir aos locais onde há problemas efectivamente”.

O presidente da autarquia reconhece que a tuberculose não é, de momento, um problema geral do país, mas reconhece também que é preciso atacar casos pontuais, “portanto, ter uma unidade que é claramente do melhor que existe no mundo, é para nós, um motivo de orgulho”, admite.

Relativamente às carrinhas também entregues nesta cerimónia, Pedro Ribeiro admite que “permitem também às equipas de cuidados continuados na comunidade, uma maior mobilidade que vem permitir que se possa continuar com um trabalho que já vem sendo feito e muitas vezes não é reconhecido, em que os enfermeiros acabam por ir a casa das pessoas com estes cuidados continuados e futuramente com cuidados paliativos”, portanto, o autarca afirma que “estamos claramente numa melhoria daquilo que é a oferta do SNS, que vale a pena divulgar porque efectivamente continua a haver um conjunto de pessoas que não tendo conhecimento, também não recorre aos serviços”, conclui.

“Necessidade de dotar os serviços de pessoal auxiliar e administrativo”

Outra questão abordada por Pedro Ribeiro foi a do pessoal no sector da saúde. Para o presidente a questão da falta de médicos que a região tem sofrido está mais controlada, referindo que agora o problema está na falta de auxiliares, sendo que, em relação ao número de pessoal, ao nível médico não é o ideal, mas está muito melhor do que já esteve. Ao nível de enfermagem “está-se a melhorar,” acrescentando que devido à idade do pessoal administrativo e auxiliar e à chegada da reforma para muitos deles, “há a necessidade de dotar os serviços com pessoal para essas funções”.

Apesar da passagem de competências do governo central para as autarquias na área da saúde, o presidente da câmara diz que as mudanças são bem-vindas, mas é preciso ter em atenção todos os detalhes, como explicou: “uma coisa é o Estado central transferir as pessoas, outra coisa é perceber se essas pessoas chegam para aquilo que efectivamente são as necessidades do serviço”.

A recpção de pessoal não é questionável por parte das autarquias, a discussão, segundo Pedro Ribeiro, é essencialmente avaliar aquilo que são os rácios, para que as faltas sejam preenchidas e as necessidades colmatadas.