A NERSANT – Associação Empresarial da Região de Santarém e o Agrocluster Ribatejo promoveram a primeira de quatro Mesas Redondas, onde a Bioeconomia é a peça central. Indissociável de sinergias estratégicas empresariais, o conceito permite a integração e combinação de resíduos transformados em novos produtos com menos impacto ambiental.

O conceito de Bioeconomia abrange todos os recursos biológicos renováveis e a conversão desses recursos. Nesta linha, o sector agroalimentar está numa posição privilegiada para ser impulsionador e gerador de mais competitividade, criando valor acrescentado para as suas empresas e, assim, colocam-se na linha da frente da circularidade.

Tendo em conta a mudança de mentalidades no consumo dos cidadãos “os produtos Bio vão, claramente, ocupar uma faixa de consumo razoável”, afirmou Carlos Lopes de Sousa, Presidente do Agrocluster Ribatejo durante a abertura da sessão. O sector agroalimentar é indissociável do ambiente, da terra, do mar, da floresta e “a bioeconomia ligada a um sistema saudável, com tudo o que isso inclui, pode ser a solução”, alertou, dando o mote para o início do programa.

De seguida, a NERSANT deu voz ao projecto Bio-Ware, centrado nas duas bioeconomias, verde (Agroflorestal e engloba a produção primária) e branca (soluções industriais e ambientais, de transformação dos produtos biológicos e naturais) onde, entre as várias valências, se encontra o Concurso de Ideias de Negócio, para premiar as melhores ideias de bio produtos ou bio serviços.

Da parte da SPI – Sociedade Portuguesa de Inovação, Miguel Carnide explorou as oportunidades que a Bioeconomia oferece apresentando as várias tendências a considerar, tais como a rotulagem que mostra o caminho através da cadeia de valor, o estilo de vida actual associado a dietas mais saudáveis, as embalagens no contexto ‘Less is More’, maior consciência e maior circularidade.

No campo das tendências de investimento empresarial a nível mundial, o orador expôs alguns casos de alimentos que se têm vindo a afirmar no mercado como os probióticos, proteína de ervilha, algas, chia, entre muitos outros. Como tendências tecnológicas, entre muitas, destacam-se as técnicas de exploração sustentável, técnicas de fermentação, políticas agroflorestais e redução da pegada de carbono. Agrupando as tendências de consumo às tendências tecnológicas criam-se oportunidades para a bioeconomia e a sustentabilidade.

O segundo tema da Mesa Redonda escrutinou as Sinergias Estratégicas Empresarias da Bioeconomia com a intervenção de João Nunes, fundador da ALL, Associação Portuguesa para a Bioeconomia e Economia Circular. O profissional falou da “Bioeconomia circular para integrar tudo” e apresentou algumas lacunas da Bioeconomia na temática do “recurso da água doce e água potável”, acrescentado que “o impulso correto seria bioeconomia azul”. Na sua intervenção abordou o exemplo da Suíça como o país com melhor posição em Bioeconomia, a bio capacidade dos territórios como grande potencial para Portugal, o sistema agroalimentar que apresenta obstáculos em processos de licenciamento industrial dos projectos, lacunas na classificação e “cuidados com as alterações climáticas em relação ao sistema de produção agrícola”, rematou. No que toca às sinergias, apontou as bio refinarias como simbioses industriais que são o princípio da cascata de valor dos resíduos fundamentais na economia circular.

No momento que antecedeu os esclarecimentos, Carlos Lopes de Sousa, Presidente do Agrocluster Ribatejo, expôs alguns exemplos práticos, não sem antes frisar que “sem Bioeconomia não passaremos à biotecnologia”, mostrando que as duas devem ser separadas.

Esta foi a primeira sessão de Mesa Redonda realizada no âmbito do projecto Bio-Ware, que pretende sensibilizar e disseminar a importância da bioeconomia e da sua integração nos sectores relevantes para a região, bem como promover lógicas de colaboração entre os actores nacionais direccionadas para a identificação e valorização de oportunidades de financiamento e promoção da geração de ideias em torno do desenvolvimento de projectos colaborativos entre empresas e entidades de ensino e de ciência e tecnologia. Na sessão, estiveram presentes diversos representantes de empresas da região.

Para mais informações sobre o projeto os interessados podem aceder a www.bioware.nersant.pt ou contactar o Departamento de Apoio Técnico, Inovação e Competitividade da associação empresarial através dos contactos datic@nersant.pt ou 249 839 500.