Virgílio Castelo protagoniza um monólogo adaptado da obra que Victor Hugo escreveu aos 27 anos e se tornou um dos textos mais emblemáticos a favor da  abolição da pena de morte.

No mês em que se assinala a Revolução dos Cravos, o Centro Cultural do Cartaxo escolheu “O Último Dia de um Condenado” para trazer ao palco um texto que Victor Hugo escreveu como manifesto contra a pena de morte e é também uma reflexão sobre a liberdade e o valor da vida.

Às 21h30, de dia 14 de Abril, sábado, Virgílio Castelo revela um homem condenado à guilhotina, cujo nome e crime cometido ficam por revelar, numa interpretação que a crítica e o público têm aplaudido.

Publicado pela primeira vez em 1829 sem o nome do autor e novamente em 1932, já revelando a autoria e um prefácio assinado por Victor Hugo, a obra é um manifesto empenhado contra a pena de morte, causa que o escritor defendeu, sendo conhecida uma carta sua, publicada no dia 10 de Julho de 1867 no Diário de Notícias, na qual o escritor mostrava o seu entusiasmo pela abolição da pena de morte em Portugal (de que se celebraram 150 anos em 2017), escrevendo – “está pois a pena de morte abolida nesse nobre Portugal, pequeno povo que tem uma grande história“ e “a Europa imitará Portugal. Morte à morte!”.

Paulo Sousa Costa, que adaptou o texto e encenou a peça, afirmou ao Diário de Notícias – “a primeira vez que adaptei o texto foi há quatro anos. Já andava aqui há muito tempo a trabalhar. Acho que é um texto tão rico, tão necessário nesta altura em que vivemos questões sociais e de humanidade tão difíceis que achei que era agora o momento”. Apesar de a pena de morte não ser actualmente o assunto mais discutido em termos de defesa dos direitos humanos, o encenador lembrou ao jornal que há países onde este ainda é um tema actual. “Uma coisa que devemos aprender com a história é, acima de tudo, a não voltarmos atrás. Porque ainda há muitas vozes que se levantam a favor da pena de morte”.