A propósito da recente palestra a duas mãos recentemente realizada no Fórum Mário Viegas, em Santarém (em parceria como meu amigo e insigne historiador de arte Vítor Serrão), cujo êxito inegável comprovou claramente a razão de ser de uma certa maneira de entender o conhecimento (sem fronteiras e determinismos), veio-me á memória o estudo realizado, lá pelos anos de 2004/2005, no Distrito de Santarém, cujo objetivo era pesquisar e classificar os vestígios existentes do culto e festas do Espírito Santo. Integrado no Congresso Internacional do Espírito Santo, organizado pela Câmara Municipal de Santarém no ano de 2005 e realizado nas instalações do Paço Episcopal onde,concomitantemente, se organizou uma exposição de “tronos de graça” que reuniu quase quatro dezenas de conjuntos escultóricos vindos de toda a área territorial do distrito.

Estudo de que decorreu, aliás, a publicação do, assim denominado, “Roteiro do Espírito Santo do Distrito de Santarém”; edição a cargo do (na altura ainda existente) Governo Civil.

Resultando daí, também (pelo menos para quem participou na pesquisa, patrocinada pela autarquia scalabitana, com colaboração das outras câmaras do Distrito), a constatação “in loco” das deploráveis condições em que se encontrava parte considerável do património sacro na Região.

Em que as situações mais graves foram (convenhamos) encontradas em concelhos como Golegã e Coruche, mas das quais, verdadeiramente, nenhum município estava completamente isento.

Talvez se justifique, assim, um elogio (mais um) aos responsáveis pela Diocese e, especialmente, ao Padre Joaquim Ganhão, cuja esclarecida iniciativa (talvez, quem sabe, inspirada no êxito que foi a, atrás referida, exposição trinitária) levou a cabo a criação do hoje prestigiado Museu Diocesano de Santarém.

Tão importante na forma como no conteúdo e que permitiu dotar muita da arte sacra desta Região de condições de preservação e, não menos importante, de divulgação.

Afinal, se a arte sacra é património importante mesmo para ateus, agnósticos e afins, para os cristãos é-o duplamente: enquanto património artístico (naturalmente) mas, igualmente, enquanto património cultual.

Aurélio Lopes