O ministro do Ambiente afirmou, em Santarém, que a retirada dos 30 mil metros cúbicos de sedimentos depositados no leito do Tejo, a iniciar na segunda quinzena de Maio, será “extremamente cuidada” e decorrerá num terreno “sem qualquer valor ambiental”.

João Pedro Matos Fernandes participou quarta-feira à noite numa sessão extraordinária da Assembleia Municipal de Santarém que teve por tema “Rio Tejo: Presente e Futuro” e na qual foi confrontado com a persistência de problemas de poluição na bacia do Tejo já identificados em sessão com temática idêntica realizada há dois anos e, segundo a generalidade dos intervenientes, agravados desde então.

O ministro afirmou que o terreno onde vai decorrer a operação de retirada de sedimentos depositados no fundo da albufeira do Fratel “é um antigo areeiro sem qualquer valor ambiental”, com cinco hectares, dos quais será usado um hectare “equidistante aos dois pontos” em que se centrarão os trabalhos.

Matos Fernandes admitiu que o terreno em causa se situa nas Portas de Ródão, o que já originou criticas de ambientalistas por se tratar de uma área classificada.

“Ouvi com espanto algumas declarações críticas relativamente a este modelo. Não consigo mesmo imaginar outro”, declarou, afirmando que, para esta operação terá que ser importado equipamento que não existe em Portugal e que tudo será feito “com muito cuidado do ponto de vista ambiental”.

O ministro afirmou que a operação vai incidir em 12 mil dos 30 mil metros cúbicos de sedimentos, os que se encontram junto ao exutor das três indústrias de papel ali existentes, uma delas a Celtejo (responsável por 90% do efluente), por serem os que “são mais pesados do ponto de vista da concentração”.

Para Matos Fernandes, estes sedimentos são como uma “bomba relógio do ponto de vista da poluição”, por consumirem oxigénio, inibindo “a possibilidade de haver vida no Tejo”, e por poder repetir-se o episódio “extremamente agudo” de poluição ocorrido em Janeiro, quando um grande volume de espuma espessa se concentrou junto a Abrantes, obrigando a uma intervenção que acabou por identificar a presença de níveis de celulose 5 mil vezes superior ao que seria normal.

Segundo explicou, os sedimentos serão “bombeados” para sacos com cerca de 25 metros de comprimento depois de “flocolados” numa máquina que vai ser provisoriamente instalada no local, permanecendo, em cima de uma tela impermeabilizante, “o mínimo de tempo possível na margem do rio, até que sequem”, seguindo depois para aterro.

Matos Fernandes assegurou que os sedimentos “não têm nenhuma perigosidade”, pois são “mesmo matéria orgânica”, sem presença de detergentes, de metais pesados e de fertilizantes.

“Esta é mesmo a única forma de dali poder retirar todos estes sedimentos”, afirmou, declarando que, como engenheiro que é, não consegue conceber ver uma obra “sem estaleiro”.

O ministro afirmou que, se os proprietários do terreno o permitirem, depois de retirados os sedimentos, há vontade de reabilitar “um espaço que é hoje careca” com sobreiros e freixos.

“Nunca depreciem a existência de 30 mil metros cúbicos de matéria orgânica que está ali a não fazer mais nada que não seja consumir oxigénio”, disse, desafiando quem afirma que estes sedimentos podem ter outro destino a oferecer-se para os colocar, depois de devidamente analisados, em solos “muito pobres”.

“Prefiro agir de maneira cautelar e tomar da minha conta esta empreitada e colocar aquela matéria orgânica num aterro de resíduos banais”, declarou.

Nesta primeira fase, orçada em cerca de 1,5 milhões de euros, vão ser retirados os resíduos acumulados junto ao cais fluvial de vila Velha de Ródão e os que se encontram no cais do Conhal do Arneiro, do outro lado do rio e já no concelho de Nisa, para onde está a ser convocada, nas redes sociais, uma manifestação de protesto no sábado à tarde.