O município de Santarém propõe-se organizar uma programação de 50 semanas para assinalar os 50 anos da Revolução de Abril de 1974, caso seja aceite a proposta de ser sede das comemorações nacionais da efeméride em 2024.

“Pode parecer que falta muito tempo até 2024, mas passa depressa e, se tivermos a honra de organizar esses 50 anos do 25 de Abril em Santarém, queremos começar cedo para termos uma programação rica e vasta e fazermos disto um grande evento nacional”, que resulte num “exemplo de cidadania” para os mais novos, disse hoje o presidente da câmara de Santarém.

Ricardo Gonçalves falava durante o tributo a Salgueiro Maia, cerimónia que decorreu hoje de manhã no Jardim dos Cravos, em Santarém, assinalando o dia da morte do Capitão de Abril (em 1992) e o arranque das comemorações dos 44 anos do derrube da ditadura no concelho, que se vão prolongar até ao próximo dia 27.

O autarca afirmou que a disponibilidade do município foi já comunicada ao Presidente da República, pedindo-lhe o seu “alto patrocínio”, aguardando a sua aceitação para iniciar contactos, sendo que a ideia foi bem acolhida pela Associação 25 de Abril, que se fez representar na cerimónia de hoje pelo seu vice-presidente Aprígio Ramalho, e pela associação cultural Comemorações Populares do 25 de Abril em Santarém.

Na sessão que decorreu junto à estátua de Salgueiro Maia, esta associação foi representada por uma jovem de 17 anos, Sofia Sócrates, que agradeceu a Salgueiro Maia ter “arriscado” no meio de toda a incerteza para que a liberdade fosse possível, mas alertando para a “ilusão” de se pensar que este direito está assegurado.

Sofia advertiu para o perigo do “controlo e da imposição quase invisível”, para as “opções condicionadas” e para a dúvida sobre a participação e o exercício da cidadania para os que não se encaixam em estruturas partidárias.

Antes, a neta de Salgueiro Maia, Daniela, acompanhada pela avó Natércia, leu um texto da mãe, Catarina, cheio de memórias de um pai muito presente até ao dia 03 de Abril de 1992, que “marcou para sempre” as suas vidas.

O programa das comemorações do 25 de Abril em Santarém prossegue quarta-feira à noite com a exibição do filme “Rosas de Ermera”, uma “história esquecida” da vida do músico e cantor José Afonso num documentário de Luís Filipe Rocha, no Teatro Sá da Bandeira, com a presença do realizador.

No sábado à noite, no Convento de S. Francisco, o Núcleo de Santarém da AJA – Associação José Afonso promove um concerto que assinala os 50 anos de percurso de Francisco Fanhais.

Dia 12 será apresentado o livro “Mulheres da Clandestinidade”, com a presença da autora Vanessa de Almeida e de Manuela Bernardino, antes da inauguração das exposições cedidas pelo Museu do Neorrealismo “Horizonte Revelado”, de Alves Redol, e “Por todas as estradas do Mundo”, de Manuel da Fonseca, no Fórum Actor Mário Viegas – Centro Cultural Regional de Santarém, patentes até dia 28.

Os agentes culturais do concelho juntam-se para o espetáculo AbrilArte que se realizará no dia 14 à noite no Convento de S. Francisco, numa iniciativa conjunta com as juntas de freguesia, havendo no dia seguinte à tarde teatro para crianças, com “A mais louca corrida do mundo”, por Paulo Patrício, no Fórum Actor Mário Viegas, espaço onde dia 19 Sandra Benfica, do Movimento Democrático de Mulheres, vai falar sobre prostituição.

A exemplo do que aconteceu em 2017, a parada da antiga Escola Prática de Cavalaria (EPC), de onde Salgueiro Maia partiu à frente da coluna militar que rumou a Lisboa, vai acolher na noite de dia 24 um espectáculo multidisciplinar com cerca de centena e meia de participantes, este ano retratando cenas da vida do país ao longo dos 13 anos da guerra colonial.

A manhã de dia 25 será dedicada a actividades de animação e desporto para crianças no Jardim da Liberdade, acolhendo o Jardim dos Cravos uma cerimónia evocativa do 25 de Abril, com a participação da Sociedade Filarmónica do Xartinho, seguindo-se um “almoço festivo” no antigo refeitório da ex-EPC.

Uma visita ao “Mural do 25 de Abril”, no Jardim da Liberdade, restaurado por César Pires e Francisco Camilo, e o Tradicional Encontro de Coros do Círculo Cultural Scalabitano preenchem a programação da tarde, encerrando as comemorações no dia 27 com o espectáculo “Abril com Zeca”, promovido pelo Núcleo de Santarém da AJA e integrado no Festival de Letras de Santarém 2018, que decorre de 21 e 29 de Abril na Casa do Campino.