Joana Silva Lopes, enóloga residente da Quinta do Casal Branco, venceu o prémio ‘Enólogo do Ano’ na Gala dos Vinhos do Tejo 2018, a par com o seu colega, enólogo consultor Manuel Lobo de Vasconcellos.Licenciada em Agronomia, começou a trabalhar nas Encostas de Estremoz, onde esteve até 2014.

Durante esse período teve oportunidade de fazer um estágio de vindima na Austrália, e de conhecer vários países do Novo Mundo dos Vinhos – Chile e África do Sul. Em 2014, aceitou o desafio de integrar a equipa da Quinta do Casal Branco e fazer vinhos no Tejo.

Como vê a atribuição deste prémio?

É um reconhecimento do nosso trabalho e do trabalho da nossa equipa. É a prova de confiança de que estamos no caminho certo.

Quando em 2014 aceitei a proposta para vir para o Tejo, sabia que o desafio ia ser grande. Continua a ser uma ‘luta’ diária, mas hoje com mais alento.

É importante para um enólogo este tipo de reconhecimento, para motivar e dar forças na continuação do bom trabalho?

Claro que sim.

Qual é para si a importância da CVR Tejo na promoção dos vinhos do Tejo?

É fundamental, a CVR Tejo faz um trabalho extraordinário de promoção dos vinhos do Tejo em Portugal e no estrangeiro.Dão um grande apoio aos produtores na divulgação de cada um dos seus vinhos.

Têm feito um esforço incrível para colocar os “Vinhos do Tejo” no patamar de qualidade e de reconhecimento que eles merecem. Há muito por fazer, mas reconheço-lhes determinação e mérito.

Sendo natural do Oeste e de uma região vitivinícola diferente desta onde actualmente exerce, acha que a região vitivinícola do Tejo tem vinho de qualidade ou é mais uma região de quantidade?

Quando se fala em Tejo tem de se falar, indiscutivelmente, em qualidade. Este deve ser o lema de todos. O fundamental para produzir bons vinhos é uma viticultura de excelência, e nesse campo, o Tejo tem um longo trabalho pela frente. Esse paradigma quantidade versus qualidade está ultrapassado.

Independentemente da quantidade, os vinhos que produzimos devem ser exemplo de confiança para o consumidor, e cada uma das gamas em que se inserem. Isto é que é a base da qualidade.

Consegue definir um perfil de vinhos que seja mais ao seu gosto?

Valorizo vinhos genuínos, que expressem o seu terroir, a sua região. Sem ‘make up’.

Quais são as suas castas de eleição e porquê?

É uma pergunta difícil. Mas no Tejo destaco o Fernão Pires, por nos permitir fazer vinhos brancos fantásticos, com carácter e com uma evolução em garrafa muito positiva. Nos tintos, gosto particularmente de Touriga Franca, é uma paixão antiga.

Alguma vez, nos últimos anos, foi capaz de beber um vinho sem vestir o papel de técnica, de enóloga?

Tento fazê-lo sobretudo quando estou com os meus amigos e com a minha família.

Onde está, para si, o prazer em beber vinho?

Está em perceber e valorizar todo o esforço que está por detrás de uma garrafa. Quando abro um vinho, tento saber um pouco da sua história, da região, da empresa, das pessoas que o fazem.

Que conselho dá aos enólogos que se iniciam nesta actividade?

Que trabalhem focados e com um objectivo bem definido (enquadrado na política da empresa). Procurem sempre fazer o melhor, com rigor e persistência. Sejam humildes.

Uma boa combinação vinho/música?

Red Red Wine… UB 40!

Uma boa combinação vinho/prato gastronómico?

Os colheitas tardias, são uma paixão, bem como os doces. Por isso, ‘Falcoaria Late Harvest’ com cheesecake de lima.

Lema de vida?

‘Work Hard, Play hard’.

Viagem de sonho?

Conhecer o que ainda me falta da Austrália e mergulhar na Grande Barreira de Corais.